PL trai aliado histórico e Portinho quebra o silêncio: ‘Não traio minha coerência nem minha honestidade’

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O Partido Liberal colhe mais um desgaste interno ao preterir um dos seus mais leais operadores no Senado. O senador Carlos Portinho (PL-RJ), líder da bancada há quase seis anos e um dos rostos mais identificados com o bolsonarismo no Congresso, foi deixado de fora da disputa ao Senado pelo Rio de Janeiro em 2026 — e não engoliu a decisão em seco. “Para minha infelicidade, o Partido Liberal definiu outros nomes para a disputa”, declarou em nota, numa das raras vezes em que o senador expôs publicamente a fritura.Não é a primeira vez que o PL gera ruído ao fazer escolhas que decepcionam aliados de longa data. A legenda, que cresceu exponencialmente na onda bolsonarista, acumula episódios de preterimento de quadros históricos em favor de nomes de maior apelo eleitoral momentâneo — um padrão que começa a cobrar preço em fidelidades construídas ao longo de anos.No caso de Portinho, a decisão veio de cima: foi Flávio Bolsonaro, pré-candidato da sigla, quem bateu o martelo. “Preocupa-me, mas respeito”, disse o senador, sem disfarçar o incômodo. Eleito o melhor senador do Brasil em 2024 e melhor parlamentar do Rio em todos os anos de mandato, Portinho ostenta um currículo que, segundo ele mesmo, é “insuperável” — e que, aparentemente, não pesou na conta do partido.O recado, porém, ficou nas entrelinhas da nota: “Minha gratidão será maior do que a eventual frustração.” Para quem conhece o vocabulário político, é o equivalente a dizer que a conta está aberta.