Nos últimos dias, milhares de iranianos acordaram com uma mensagem ameaçadora em seus celulares em persa, afirmando que “o presidente dos EUA é um homem de ação, espere e veja”. Essa mensagem chegou de números anônimos, sem origem oficial confirmada, e circulou justamente em um momento de tensão extrema entre Washington e Teerã, enquanto autoridades americanas sinalizam uma possível ação militar contra o Irã e negociações nucleares estão em andamento. O envio massivo de uma mensagem em persa a celulares no Irã levanta questionamentos que vão além do conteúdo textual. O fato de o SMS ter sido redigido no idioma local e amplamente recebido sugere um evento coordenado, e não uma ação isolada ou casual. Em contextos de crise geopolítica, ferramentas simples de comunicação podem ser utilizadas estrategicamente para provocar instabilidade, gerar apreensão social ou testar reações institucionais.Mensagem em persa enviada para os celularesCampanhas de mensagens diretas já foram empregadas em cenários de conflito como instrumentos de guerra de informação. A lógica é clara: influenciar a percepção pública antes mesmo que qualquer ação concreta ocorra. Nesse caso, a mensagem pode ter sido desenhada para sugerir que “algo está prestes a acontecer” e que o regime iraniano estaria sob pressão ou vulnerável.Oficialmente, nenhum governo assumiu a autoria. No entanto, o conteúdo da mensagem dialoga com a retórica firme adotada por Donald Trump em relação ao Irã — marcada por ameaças de ação militar, pressão sobre o programa nuclear e demonstrações de força no Oriente Médio. Esse contexto cria um ambiente em que até mesmo uma comunicação anônima pode soar plausível como um “aviso”, independentemente de sua origem real.Especialistas e observadores internacionais apontam que, ainda que a mensagem não tenha partido diretamente do governo dos Estados Unidos, ela pode integrar uma estratégia mais ampla de pressão indireta. Nesse modelo, a disputa não se limita ao campo diplomático ou militar, mas se estende ao terreno psicológico. Plantar a ideia de inevitabilidade de conflito ou de eventual apoio externo à oposição interna pode alterar percepções e comportamentos.Donald Trump, presidente dos EUA, e Ali Khamenei, líder supremo do IrãParalelamente, Estados Unidos e Irã mantêm negociações mediadas por terceiros e canais formais de diálogo. É justamente essa coexistência entre diplomacia oficial e episódios de tensão simbólica que amplia a complexidade do cenário. A circulação da mensagem cria a sensação de que parte do jogo estratégico pode estar ocorrendo fora do alcance público — envolvendo estruturas de inteligência, setores militares ou até grupos não estatais interessados em moldar narrativas.O episódio evidencia uma característica central da geopolítica contemporânea: a guerra híbrida. Nesse tipo de dinâmica, convivem simultaneamente negociações diplomáticas, demonstrações de força militar e disputas informacionais. A linha que separa comunicação, influência e intimidação torna-se cada vez mais tênue.Mais do que identificar culpados, o caso revela como a informação — e até mesmo a dúvida sobre sua origem — pode funcionar como instrumento estratégico. Em um ambiente de tensão internacional, nem tudo que parece simples é necessariamente trivial. E, muitas vezes, o impacto de uma mensagem pode ser maior do que o de uma declaração oficial.O post ENVIO DE MENSAGENS AMEAÇADORAS PARA TODA A POPULAÇÃO DO IRÃ LEVANTA QUESTIONAMENTOS SOBRE GUERRA DE INFORMAÇÃO apareceu primeiro em Revista Enigmas.