A ação do Bradesco (BBDC4) avançava 3,72%, a R$ 21,76, às 11h45 (horário de Brasília) após anunciar na manhã desta sexta-feira (27) que a companhia levará os seus negócios de saúde à bolsa em um IPO reverso com a Odontoprev (ODPV3). Assim, nasce a Bradsaúde.Segundo comunicado do Bradesco, o conglomerado de saúde — que será listado no Novo Mercado da B3 — começa a operar com receita de R$ 52 bilhões e lucro de R$ 3,6 milhões, mais de 13 milhões de beneficiários, cerca de 3,6 mil leitos de hospitais e 35 clínicas, considerando os resultados consolidados de 2025.Com o anúncio, o BBDC4 sobe na contramão dos demais bancos, que recuam em bloco no pregão de hoje. No mesmo horário, Itaú (ITUB4) recuava 1,38%, Banco do Brasil (BBAS3) caía 1,21%, BTG Pactual (BPAC11) tinha baixa de 0,47% e Santander Brasil (SANB11) perdia 1,48%.Na avaliação de analistas, o negócio é visto como “transformacional” e também será positivo para o Bradesco no impacto concreto na estrutura de capital.Fortalecimento de índices de capital do bancoO BTG Pactual considerou em relatório que a transação é positiva para o Bradesco, uma vez que não se trata apenas de uma soma das partes, mas de um impacto concreto na estrutura de capital.“A operação deve fortalecer índices de capital do banco e criar termos de trocas mais atrativos, caso a nova empresa negocie a múltiplos superiores aos do banco”, afirmaram os analistas do BTG.Segundo eles, há ainda um potencial de otimização de ativos fiscais diferidos no balanço, melhorando o patrimônio tangível, uma vez que o branço de saúde representa cerca de um terço das operações de seguros do Bradesco, enquanto os demais negócios permanecem no banco.No relatório, o BTG destacou que a Bradsaúde terá um free float reduzido, o que pode limitar a liquidez em um primeiro momento, mas também abre espaço para ofertas subsequentes em janelas favoráveis.“Estrategicamente, o movimento fortalece o posicionamento competitivo do Bradesco no mercado privado, com maior escala, integração e capacidade de financiamento frente aos pares”, ressaltou.Negócio “transformacional”Avaliado pelos analistas do Safra como um negócio “transformacional”, a nova empresa, em um cenário otimista, poderia chegar com um potencial de até 57%. Já em um cenário mais pessimista, o papel subiria 8% e, no ponto médio, 32%.O Safra calculou que a fusão entre a Bradesco Saúde e a Odontoprev pode elevar o lucro por ação (LPA) da nova companhia em cerca de 13%.No relatório, os analistas partem do lucro líquido consolidado da Bradesco Saúde, excluem a participação já detida na Odontoprev e, na sequência, adicionam 100% do resultado da empresa odontológica para simular o cenário pós-fusão.Com isso, a estimativa é de um lucro líquido de aproximadamente R$ 3,7 bilhões para a NewCo em 2025.O banco destacou ainda que a maior parte do benefício virá da consolidação sob um único veículo listado em bolsa e de uma execução estratégica mais robusta ao longo do tempo.