Ex-CEO da Mt. Gox propõe hard fork do Bitcoin para recuperar US$ 5,2 bilhões roubados em 2011

Wait 5 sec.

O ex-CEO da falida exchange Mt. Gox, Mark Karpelès, publicou uma proposta que reacende um dos debates mais sensíveis do universo cripto: a possibilidade de alterar as regras do Bitcoin para recuperar moedas perdidas em um hack histórico.Karpelès sugere um hard fork que permitiria a recuperação de aproximadamente 79.956 BTC — avaliados em mais de US$ 5,2 bilhões nos preços atuais — atualmente parados em um endereço associado ao ataque sofrido pela Mt. Gox em 2011. As moedas estão na carteira identificada como 1Feex…sb6uF e não se movimentam há mais de 15 anos.Pelas regras atuais do protocolo, esses bitcoins só podem ser gastos com a chave privada correspondente. A proposta de Karpelès prevê a criação de uma regra de consenso que autorizaria a movimentação dos valores a partir de uma assinatura vinculada ao endereço de recuperação da Mt. Gox, permitindo que os recursos fossem devolvidos aos credores dentro do processo de reabilitação judicial supervisionado por tribunais no Japão.Segundo o ex-executivo, trata-se de uma exceção técnica específica, desenhada exclusivamente para esse caso. O texto descreve a iniciativa como “um ponto de partida para debate” e afirma que a mudança seria limitada a esse único endereço, ativada apenas em um bloco futuro caso houvesse aprovação da rede.No documento, Karpelès argumenta que o roubo é “inequívoco” e que o fato de os bitcoins estarem inativos por mais de uma década reforça a tese de que o invasor pode ter perdido as chaves privadas ou optado por nunca movimentar os fundos. Ele também destaca que já existe um processo judicial em andamento para distribuir eventuais recursos recuperados a credores verificados.Apesar disso, a proposta reconhece os riscos. Alterar as regras de propriedade para um endereço específico pode abrir precedente perigoso para a imutabilidade do Bitcoin — princípio central da rede. “Se pode ser feito uma vez, pode ser feito novamente”, admite o texto, levantando a questão de quem teria legitimidade para decidir quais casos merecem intervenção no protocolo.Além do debate filosófico, há riscos técnicos: a coordenação de um hard fork pode provocar divisão na rede caso parte dos participantes se recuse a atualizar o software, criando potencialmente uma bifurcação (chain split).Pagamentos já em andamentoAs moedas citadas na proposta não fazem parte do montante atualmente em processo de devolução aos credores da Mt. Gox. Após o colapso da exchange em 2014, cerca de 200 mil BTC foram recuperados e ficaram sob controle do administrador judicial Nobuaki Kobayashi no âmbito do processo de reabilitação civil no Japão.Os pagamentos começaram em meados de 2024, mas o prazo final já foi estendido três vezes, agora até outubro de 2026. Dados da Arkham Intelligence indicam que a massa falida ainda detém cerca de 34.689 BTC. Movimentações anteriores, como a transferência de 10.608 BTC em novembro, costumaram anteceder etapas de distribuição.A proposta de Karpelès, embora ainda embrionária, reacende discussões sobre os limites da governança do Bitcoin: até que ponto a rede deve permanecer absolutamente imutável — e quando, se é que em algum caso, uma exceção pode ser considerada legítima.Quer investir na maior criptomoeda do mundo? No MB, você começa em poucos cliques e de forma totalmente segura e transparente. Não adie uma carteira promissora e faça mais pelo seu dinheiro. Abra sua conta e invista em bitcoin agora!O post Ex-CEO da Mt. Gox propõe hard fork do Bitcoin para recuperar US$ 5,2 bilhões roubados em 2011 apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.