Os Estados Unidos e Israel lançaram neste sábado (28) uma ampla ofensiva aérea contra o Irã, em uma ação que eleva o risco de um conflito regional de grandes proporções. Enquanto o mundo aguarda os desdobramentos e a busca por ativos seguros aumenta, o mercado brasileiro poderia contar com “amortecedores”.O Brasil conta com produção líquida de petróleo desde 2019, superávit comercial e reservas internacionais elevadas, o que poderia sustentar ligeiramente o mau humor internacional. Leia tambémApós alta de 10% no balcão, petróleo pode bater US$ 100 por conflito no Irã?A referência global subiu este ano e atingiu US$73 por barril na sexta-feira, seu maior valor desde julhoAinda assim, na avaliação de analistas é que o cenário de aversão ao risco poderia, sim, contaminar o cenário local e levar à forte alta do dólar associada a abertura do Ibovespa em queda. O índice brasileiro tem 12 a 14% da sua composição pela Petrobras (PETR3; PETR4), que seria um dos papéis mais afetados pelo esperado avanço dos preços dos contratos de petróleo. Para Gabriel Uarian, Analista CNPI da Cultura Capital, a expectativa para o dólar é de R$ 5,25 a 5,40 na abertura, contra os R$ 5,15 do fechamento de sexta-feira. A alta seria motivada pelo movimento altista da moeda fora do Brasil somada com a saída de fluxo de portfólio de emergentes. “Se passar de R$ 5,40, BC pode intervir no câmbio (swap ou venda de reservas), mas não deve segurar muito no primeiro dia”, afirma. Entre os papéis que poderiam sofrer mais com o recuo do Ibovespa, que Uarian estima entre 1,5% a 3%, estão a Petrobras, PRIO (PRIO3), PetroReconcavo (RECV3) e Vibra (VBBR3). Os setores mais atingidos poderiam ser os de bancos, varejo, construção civil e empresas importadoras de insumos, como papel e química. Já no polo positivo, a expectativa é que ações de defesa ou que sejam exportadoras de commodities agrícolas consigam realizar de forma neutra ou até mesmo levemente positivas.Considerando efeitos em cadeia no país, o analista destaca que alta de combustível poderia ser um problema para inflação nos próximos 15 ou 30 dias a depender do patamar que o petróleo passe a ser negociado (acima dos US$ 85). Para Helcio Takeda, diretor de pesquisas da consultoria e sócio da Pezco, a surpresa para cima no IPCA-15 de fevereiro, associado ao risco de eventual necessidade de alta nos preços dos combustíveis em função desse evento, poderia conter a tendência de queda observada nas expectativas de inflação para 2026 e 2027. Por outro lado, a alta no petróleo poderia garantir números positivos na balança comercial, sustentados pela receita extra que poderia vir da Petrobras, ajudando superávit e o real no médio prazo. Para a petroleira, o lucro líquido poderia subir 15 a 25% considerando cada US$ 10 de alta sustentada no Brent. The post Quais setores e ativos brasileiros são afetados por conflito entre EUA e Irã? appeared first on InfoMoney.