Como a CIA rastreou os líderes do Irã — e abriu caminho para o ataque de Israel

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WASHINGTON — Pouco antes de Estados Unidos e Israel estarem prontos para lançar um ataque contra o Irã, a CIA conseguiu localizar talvez o alvo mais importante: o aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo do país.A CIA vinha rastreando Khamenei há meses, ganhando cada vez mais confiança sobre seus paradeiros e seus padrões de movimentação, segundo pessoas familiarizadas com a operação. Então, a agência soube que uma reunião de altos funcionários iranianos aconteceria na manhã de sábado, em um complexo de liderança no coração de Teerã. Mais crucial ainda, a CIA soube que o líder supremo estaria no local.Leia tambémTrump diz que nova liderança do Irã quer negociar: “Vou falar com eles”Presidente dos EUA exalta ataques a Teerã, diz que 48 líderes iranianos foram mortos e que ofensiva militar está “adiantada em relação ao cronograma”Crise no Irã leva Wall Street à estratégia “primeiro porto seguro, perguntas depois”Gestores veem maior busca por Treasuries, ouro e franco suíço, monitoram risco em Ormuz e alertam para impacto de choque de petróleo em inflação, juros e emergentesOs Estados Unidos e Israel decidiram ajustar o horário de seu ataque, em parte para aproveitar a nova inteligência, segundo autoridades com conhecimento das decisões.A informação abriu uma janela de oportunidade para que os dois países alcançassem uma vitória crítica e precoce: a eliminação de altos dirigentes iranianos e a morte de Khamenei.A remoção surpreendentemente rápida do líder supremo do Irã refletiu a estreita coordenação e o compartilhamento de inteligência entre Estados Unidos e Israel na preparação para o ataque, assim como a profundidade das informações que os dois países haviam desenvolvido sobre a liderança iraniana, especialmente após a guerra de 12 dias do ano passado. A operação também evidenciou a falha dos líderes iranianos em tomar precauções adequadas para evitar se expor em um momento em que tanto Israel quanto os EUA enviavam sinais claros de que se preparavam para a guerra.A CIA repassou a Israel sua inteligência, que oferecia “alta fidelidade” sobre a posição de Khamenei, segundo pessoas informadas sobre o assunto.Essas pessoas e outras que compartilharam detalhes sobre a operação falaram sob condição de anonimato para discutir planos militares e de inteligência sensíveis.Israel, usando a inteligência dos EUA e a sua própria, executaria uma operação que vinha planejando havia meses: o assassinato direcionado dos principais líderes do Irã.Os governos dos Estados Unidos e de Israel, que originalmente planejavam lançar o ataque à noite, sob a cobertura da escuridão, decidiram ajustar o horário para aproveitar a informação sobre o encontro no complexo governamental em Teerã na manhã de sábado.Os líderes se reuniriam em um local onde ficam os escritórios da Presidência iraniana, do líder supremo e do Conselho de Segurança Nacional do Irã.Israel havia determinado que o encontro incluiria altos oficiais de defesa iranianos, entre eles Mohammad Pakpour, comandante em chefe da Guarda Revolucionária; Aziz Nasirzadeh, ministro da Defesa; o almirante Ali Shamkhani, chefe do Conselho Militar; Seyyed Majid Mousavi, comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária; Mohammad Shirazi, vice-ministro da Inteligência; entre outros.A operação começou por volta das 6h da manhã em Israel, quando caças decolaram de suas bases. O ataque exigiu relativamente poucas aeronaves, mas elas estavam armadas com munições de longo alcance e alta precisão.Duas horas e cinco minutos após a decolagem dos jatos, por volta de 9h40 da manhã em Teerã, os mísseis de longo alcance atingiram o complexo. No momento do ataque, altos funcionários da segurança nacional iraniana estavam em um dos prédios do complexo. Khamenei estava em outro prédio nas proximidades.“Os ataques desta manhã foram realizados simultaneamente em vários locais em Teerã, em um dos quais se reuniram figuras de alto escalão do aparato político e de segurança do Irã”, escreveu um oficial de defesa israelense em uma mensagem analisada pelo The New York Times.O oficial afirmou que, apesar dos preparativos iranianos para a guerra, Israel conseguiu obter “surpresa tática” com seu ataque ao complexo.A Casa Branca e a CIA se recusaram a comentar.No domingo, a agência estatal de notícias do Irã, a IRNA, confirmou a morte de dois altos comandantes militares que Israel disse ter matado no sábado: Shamkhani e Pakpour.Pessoas informadas sobre a operação a descreveram como fruto de boa inteligência e de meses de preparação.Em junho passado, com o planejamento já em andamento para atacar alvos nucleares iranianos, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos sabiam onde Khamenei estava escondido e poderiam tê-lo matado.Essa inteligência, disse um ex-oficial norte-americano, tinha como base a mesma rede em que os Estados Unidos se apoiaram no sábado.Mas, desde então, as informações que os EUA conseguiram reunir só melhoraram, de acordo com esse ex-oficial e outras pessoas informadas sobre a inteligência. Durante aquela guerra de 12 dias, os Estados Unidos aprenderam ainda mais sobre como o líder supremo e a Guarda Revolucionária se comunicavam e se movimentavam sob pressão, disse o ex-oficial. Os EUA utilizaram esse conhecimento para aprimorar sua capacidade de rastrear Khamenei e prever seus movimentos.Estados Unidos e Israel também haviam obtido detalhes sobre a localização de importantes oficiais de inteligência iranianos. Em ataques subsequentes após o bombardeio ao complexo de liderança no sábado, foram atingidos locais onde esses chefes de inteligência estavam hospedados, segundo pessoas familiarizadas com a operação.O principal oficial de inteligência do Irã escapou, mas as altas patentes das agências de inteligência iranianas foram dizimadas, de acordo com pessoas informadas sobre a operação.c.2026 The New York Times CompanyThe post Como a CIA rastreou os líderes do Irã — e abriu caminho para o ataque de Israel appeared first on InfoMoney.