Waack: Governo Lula testa popularidade com novo aumento de imposto

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Como quem atravessa a rua para ir pisar do outro lado em uma casca de banana, o governo Lula se esforça para convencer que o aumento de um imposto não é aumento, e que fica tudo igual, só que melhor. É o que está acontecendo com o aumento do imposto de importação para bens de capital e de tecnologia. A decisão é no mínimo estranha, além de difícil de ser entendida. A ideia do aumento do imposto, segundo o governo, era apenas regular e não arrecadar, ou seja, criar incentivos para mais indústrias virem produzir no Brasil. Não haveria aumento de preços para bens como telefones celulares, entre outros mil produtos, mas isso não colou. O próprio governo falou em aumento de arrecadação de aproximadamente R$ 14 bilhões. Leia Mais: Brasil pode ser protagonista em processamento de dados, avalia Galapagos Lula sanciona lei que cria a Agência Nacional de Proteção de Dados Confiança da indústria do Brasil melhora em fevereiro pelo 3º mês, diz FGV Enquanto isso, o setor de eletrônicos fazia as contas e afirmava que o efeito cascata do imposto de importação sobre itens como processadores, placa-mãe e memória terá considerável impacto sobre o preço final ao consumidor de computadores montados no Brasil.  Nessa operação, o governo preparou duas bombas para si mesmo: a primeira, bastante óbvia, é arrumar uma avalanche de críticas nas redes sociais para mais um aumento de imposto, pois sistematicamente se recorre a aumento de receita para equilibrar – sem conseguir – as contas públicas. A segunda bomba se refere à forma de proteção da indústria nacional. A descrença sobre a capacidade de se aumentar investimentos e produção local através de sobretaxas é generalizada nesse setor de eletrônicos.  Como sempre, provavelmente, o consumidor pagará mais, de um jeito ou de outro, mas o governo também vai pagar um preço: o de perda de popularidade.