As ações da Strategy (MSTR), a maior empresa de tesouraria de Bitcoin do mundo, são as mais vendidas a descoberto do mercado americano, segundo dados compilados pela FactSet e pelo Goldman Sachs. Ainda assim, analistas afirmam que o volume elevado de posições “short”, ou seja, que apostam na desvalorização da ação, pode não indicar necessariamente uma aposta generalizada na queda do papel.De acordo com o relatório divulgado na semana passada, as posições vendidas (short) em MSTR equivaliam a cerca de 14% do valor de mercado da companhia, que girava em torno de US$ 34 bilhões na ocasião, tornando-a a ação mais “shorteada” dentro do universo analisado, que inclui empresas com capitalização acima de US$ 25 bilhões. A Coinbase (COIN) aparece na quarta posição, com aproximadamente 11% de seu valor de mercado em apostas de baixa.Ficar “short” em uma ação é, basicamente, apostar que o preço dela vai cair. Funciona assim: o investidor pega a ação emprestada, vende pelo preço atual e espera que o valor diminua. Se isso acontecer, ele recompra a ação mais barata, devolve para quem emprestou e fica com a diferença como lucro. Mas, se o preço subir em vez de cair, ele terá que recomprar mais caro, e registra prejuízo.Leia também: Strategy compra 592 Bitcoin e Saylor declara: “Se não for para 0, vai para 1 milhão”As perdas não realizadas da StrategyEsse cenário agora ocorre em um momento delicado para a Strategy. A empresa acumula cerca de US$ 7 bilhões em perdas não realizadas com sua posição em Bitcoin, reflexo da recente queda da criptomoeda. Desde 2020, a companhia vem adicionando BTC ao balanço e já soma 717.722 unidades, avaliadas em cerca de US$ 47 bilhões. Mesmo com a ação acumulando queda de 20% no ano, a capitalização de mercado da Strategy se aproxima de US$ 42 bilhões.Apesar disso, parte do mercado vê outra explicação para o elevado interesse vendido: a chamada “basis trade”, estratégia que busca lucrar com distorções de preço entre dois ativos relacionados. Nesse caso, investidores poderiam estar comprando ETFs de Bitcoin à vista, como o iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, enquanto vendem MSTR a descoberto, apostando que o prêmio das ações da Strategy em relação ao valor de seus bitcoins em carteira voltará a aumentar.“Suspeito que grande parte desse interesse vendido ainda esteja ligada à basis trade entre MSTR e BTC. A Jane Street, em particular, recentemente adquiriu uma posição expressiva em IBIT”, afirmou Brian Brookshire, especialista em empresas com tesouraria em Bitcoin, ao site CoinDesk.Documentos recentes mostram que a Jane Street comprou mais de 7 milhões de cotas do ETF da BlackRock e também mantém posição relevante em MSTR. Se a hipótese estiver correta, parte das compras de IBIT pode estar combinada com posições vendidas em Strategy, compondo uma operação de arbitragem relativamente neutra ao mercado.Até agora, porém, a estratégia não tem funcionado. Em 2026, a relação entre MSTR e IBIT subiu cerca de 12%, indicando que a Strategy tem apresentado desempenho relativamente melhor do que o ETF. No acumulado do ano, MSTR cai 20%, enquanto o IBIT recua 27%.Essa situação reforça que, apesar de ser comum ligar o aumento de posições “short” a apostas na queda de um ativo, isso nem sempre é a realidade, já que eles podem refletir estratégias estruturadas de arbitragem.Buscando uma carteira com alto ganho, mas sem o sobe e desce do mercado? A Renda Fixa Digital do MB oferece ativos com ganhos de até 18% ao ano, risco controlado e total segurança para seus investimentos. Conheça agora!O post Investidores apostam contra a Strategy mais do que qualquer outra ação dos EUA apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.