Um artigo publicado nesta segunda-feira (23) na revista Geophysical Research Letters aponta que o registro das inversões dos polos magnéticos da Terra está incompleto. A análise indica que algumas trocas entre norte e sul magnéticos não foram identificadas ao longo do tempo geológico. Com isso, o número real de inversões pode ser maior do que o atualmente aceito.Em resumo:Estudo indica registro incompleto das inversões magnéticas da Terra;Polos magnéticos já trocaram posições várias vezes;Intervalos entre inversões variaram ao longo do tempo;Novo método revelou padrões ocultos nos dados;Inversões ajudam a entender placas e núcleo terrestre.Desde a formação do planeta, os polos magnéticos já se inverteram diversas vezes. Em vários períodos, o atual polo norte magnético ocupou a posição do sul, e vice-versa. Essas mudanças não seguem intervalos regulares. No fim do Jurássico, por exemplo, ocorriam em média a cada 100 mil anos, mas depois se tornaram menos frequentes.Os polos magnéticos Norte e Sul da Terra são assimétricos. Crédito: architect9 – ShutterstockEm certos momentos da história da Terra, as inversões praticamente desapareceram dos registros. O caso mais conhecido é o Supercrono Normal do Cretáceo, intervalo de cerca de 37 milhões de anos sem inversões identificadas. Nesse período, o campo magnético permaneceu estável por tempo excepcionalmente longo.Causas das inversões magnéticas não são clarasAs causas dessas inversões ainda não são totalmente compreendidas. Isso dificulta prever quando ocorrerá a próxima mudança. Embora não haja evidências sólidas de que inversões estejam ligadas a extinções em massa, uma alteração no campo magnético teria impacto sobre tecnologias que dependem de satélites e sistemas de navegação.Para investigar falhas no registro geológico, os pesquisadores aplicaram uma técnica estatística chamada estimativa adaptativa de densidade de kernel (AKDE, na sigla em inglês). O método permite detectar padrões que não aparecem de forma evidente nas análises tradicionais. O objetivo foi identificar possíveis inversões ignoradas nas cronologias existentes.As principais evidências dessas mudanças vêm de rochas vulcânicas ricas em ferro. Quando a lava esfria, minerais magnéticos se alinham ao campo vigente. Nas dorsais meso-oceânicas, esse processo forma faixas alternadas, conhecidas como “listras de zebra”, que registram períodos de polaridade normal e invertida.A interpretação desses padrões nem sempre é simples. Em épocas muito antigas, parte da crosta oceânica foi destruída ou modificada, reduzindo as evidências disponíveis. Um estudo anterior já havia identificado inversões em basaltos da Etiópia com cerca de 30 milhões de anos que não constavam nos registros globais.Atividade vulcânica e lago de enxofre em Dallol, na depressão Danakil, da Etiópia. Crédito: Erich Karnberger – ShutterstockLeia mais:Mistério magnético da Lua começa a ser desvendadoNova forma de magnetismo pode revolucionar a busca pela supercondutividadeO Sol está prestes a inverter seu campo magnético; o que esperar?Por que a alternância dos polos magnéticos da Terra importaOs geólogos se interessam por essas inversões por dois motivos principais. Elas ajudam a datar eventos como deslocamentos de placas tectônicas e depósitos fossilíferos. Além disso, a variação na frequência das inversões fornece pistas sobre processos que ocorrem no interior profundo do planeta.A nova análise indica que, após o supercrono, houve outros intervalos com aparente escassez de inversões. Em vez de refletirem estabilidade real, esses períodos podem representar lacunas nos dados. Quando as inversões suspeitas são incluídas, o padrão histórico se torna mais regular.Os autores defendem a hipótese de que as inversões estejam ligadas ao fluxo de calor na fronteira entre o núcleo e o manto terrestre. Embora os resultados ainda sejam preliminares, o estudo oferece direções claras para futuras pesquisas. O objetivo é reconstruir com maior precisão a história magnética da Terra.O post Polos magnéticos da Terra pode ter sofrido inversões ignoradas apareceu primeiro em Olhar Digital.