Recopa: valor do elenco do Lanús equivale ao de Lucas Paquetá, do Flamengo

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Flamengo e Lanús decidem nesta quinta-feira (26) o título da Recopa Sul-Americana, torneio que reúne os campeões da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana de 2025. O primeiro duelo, disputado no Estádio La Fortaleza, em Buenos Aires, terminou com vitória argentina por 1 a 0, deixando a decisão em aberto para o confronto no Brasil.Além da disputa esportiva, um dado financeiro chama atenção: todo o elenco do Lanús está avaliado em 43,6 milhões de euros (cerca de R$ 271 milhões), segundo o site especializado Transfermarkt. O montante é praticamente o mesmo investido pelo Flamengo na contratação do meia Lucas Paquetá, que custou 42 milhões de euros (aproximadamente R$ 263 milhões).A diferença aumenta quando se observa o valor global do elenco rubro-negro. Considerado o mais valioso das Américas, o grupo do Flamengo é estimado em 223,8 milhões de euros (cerca de R$ 1,3 bilhão), mais de cinco vezes o total do adversário argentino. Leia Mais Lanús domina Flamengo, vence e sai em vantagem na Recopa Sul-Americana "Não deu nada certo", Arrascaeta lamenta derrota do Flamengo na Recopa Flamengo pode ultrapassar R$ 2 bilhões em receita com tetra da Libertadores No Lanús, o jogador mais valorizado é o meia Marcelino Moreno, avaliado em 5,1 milhões de euros (R$ 30,9 milhões). Ele também se tornou a contratação mais cara da história do clube ao ser adquirido junto ao Coritiba por 2,7 milhões de euros (cerca de R$ 17 milhões).Gestão, mercado e modelo econômicoEspecialistas apontam que o abismo financeiro não se limita aos dois clubes finalistas. Ele reflete diferenças estruturais entre os mercados brasileiro e argentino.“O Brasil, nos últimos sete anos, passou a dominar esse cenário também em razão do declínio econômico do futebol argentino, que não se modernizou em termos de estratégia financeira, captação de recursos, comercialização de direitos e estruturação dos clubes. A grande diferença no futebol brasileiro não está entre SAFs e clubes associativos, mas entre instituições bem geridas e mal geridas”, afirma Guilherme Bellintani, ex-presidente do Esporte Clube Bahia e atual CEO da Squadra Sports.Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados, destaca o impacto do tamanho do mercado brasileiro e da legislação recente. “A maior capacidade de geração de receitas, impulsionada por direitos de transmissão, patrocínios e um mercado interno significativamente maior, cria um cenário em que os clubes conseguem operar em outro patamar de investimento. Além disso, o advento da lei da SAF ampliou ainda mais esse fosso”, explica.Reflexo nas conquistasO domínio recente na Libertadores também traduz essa superioridade econômica. Desde 2019, apenas clubes brasileiros levantaram o troféu. Nesse intervalo de sete edições, só dois finalistas eram argentinos: o River Plate, em 2019, e o Boca Juniors, in 2023.Em 2026, o Brasil igualou o número de títulos da Argentina na história da competição, consolidando uma tendência que vai além do campo.Patrocínios e premiações ampliam distânciaA discrepância aparece também nos contratos comerciais. O Flamengo supera R$ 260 milhões anuais em patrocínios, enquanto o Lanús deve alcançar algo próximo de R$ 12 milhões por temporada.Nas premiações, a diferença é ainda mais acentuada. No Brasil, o campeão do Campeonato Brasileiro pode faturar até R$ 60 milhões, enquanto a Copa do Brasil distribui entre R$ 95 milhões e R$ 100 milhões ao vencedor. Já o campeão argentino recebe cerca de 500 mil dólares (aproximadamente R$ 2,8 milhões), e a Copa Argentina paga em torno de 170 mil dólares ao campeão.Para o advogado especializado em direito desportivo Cristiano Caús, a comparação é inevitável. “A disparidade entre as premiações pagas pelas competições brasileiras e aquelas pagas em território argentino talvez seja a mesma distância que nossas ligas têm em relação às principais competições do velho continente”, afirma.Brasileirão foi 3ª liga que mais gastou com reforços em janeiro