Os ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã colocaram o mercado de petróleo em alerta máximo e devem sustentar uma alta adicional de 5% a 8% no Brent, segundo avaliação do BTG Pactual. Para o banco, o principal risco no momento não está na produção, mas na logística global da commodity.O foco dos investidores se voltou ao Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passam cerca de 20% da produção mundial de petróleo — algo entre 20 e 22 milhões de barris por dia — além de aproximadamente 20% do fluxo global de gás natural. Embora a via marítima permaneça aberta, embarcações vêm evitando a travessia por questões de segurança, após alertas emitidos por países e companhias.Na prática, armadores e empresas de energia evitam o risco de transitar pela região, o que pode gerar acúmulo de navios na entrada do estreito. Esse movimento pressiona os custos de frete e seguros e acaba impactando os preços internacionais do petróleo.Por outro lado, não há indicação de interrupção na produção. Os ataques não teriam atingido instalações petrolíferas, e o Irã responde por cerca de 3% da oferta global, com produção estimada em 3,3 milhões de barris por dia e exportações próximas de 2 milhões de barris diários.Além disso, a Opep avalia elevar a produção acima do inicialmente previsto em sua próxima reunião. A expectativa anterior era de um aumento de 136 mil barris por dia, mas fontes indicam que o acréscimo pode chegar a 411 mil barris diários — ou até 548 mil barris por dia, segundo informações divulgadas pela Reuters. A medida funcionaria como contrapeso a eventuais turbulências.Para o BTG, a duração do conflito será determinante. O banco não vê, neste momento, impactos estruturais sobre a infraestrutura global de petróleo.A possibilidade de desescalada, caso confirmadas mudanças na liderança iraniana após os ataques, pode reduzir o período de tensão. Ainda assim, mesmo com o fim das hostilidades, o fluxo pelo Estreito de Ormuz deve levar alguns dias para se normalizar devido ao represamento de embarcações.Ação recomendadaDiante do cenário, o BTG mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 56 para a Prio (PRIO3), considerada a principal escolha do banco no setor. Segundo os analistas, apesar das discussões recentes sobre o grau de captura da alta do petróleo pela companhia, o papel tende a acompanhar o movimento do Brent.A expectativa de resultados robustos no quarto trimestre e o início da produção em Wahoo reforçam a tese, que ganha ainda mais força com preços mais elevados da commodity — ao menos nos mercados futuros.Outras empresas do setor também podem se beneficiar, mas em menor intensidade. A Petrobras (PETR4). deve sentir efeito positivo limitado, já que parte relevante de sua produção é destinada ao abastecimento das refinarias, o que reduz o impacto imediato da alta do petróleo sobre os resultados.Já a PetroReconcavo (RECV3) tem cerca de metade da produção atrelada ao gás natural, enquanto a Brava Energia pode se beneficiar da valorização do óleo para acelerar seu processo de desalavancagem. Os analistas contam com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 12 para a ação.Para o mercado, a mensagem é clara: enquanto o risco geopolítico persistir, o prêmio embutido no Brent deve permanecer no radar dos investidores.