Nubank (ROXO34) vai bem no 4T25, ‘pero no mucho’; por que ações caem após lucro acima do esperado?

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A novela se repete, agora com o Nubank (NU/ROXO34). Mesmo com lucro acima das expectativas, rentabilidade em alta e inadimplência controlada, o roxinho viu suas ações caírem mais de 5% no after-market de Nova York após a divulgação do balanço.Nesta quinta-feira, o papel abriu em queda de 5,89%, a US$ 15,67, ampliando as perdas para cerca de 8% no ano. Antes mesmo dos números, já havia ceticismo. Um relatório de uma casa de research nos Estados Unidos reacendeu temores de que a Inteligência Artificial possa afetar diversos setores — inclusive o financeiro.Por tabela, a fintech acabou pressionada, tornando-se um dos piores desempenhos do setor na América Latina em 2026.O que veio de bom no balanço?No geral, os analistas reconheceram que os números operacionais foram fortes.O lucro líquido chegou a US$ 894 milhões, com ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de 33%, avanço de quatro pontos percentuais.A receita total somou US$ 4,6 bilhões, cerca de 2% acima das estimativas do Safra, impulsionada por juros e tarifas maiores.A carteira de crédito cresceu 11% no trimestre, atingindo US$ 32,7 bilhões, com destaque para cartões de crédito e bom desempenho também dos empréstimos sem garantia, segundo o BTG Pactual (BPAC11).Como consequência, a receita líquida de juros (NII) alcançou US$ 2,6 bilhões, alta de 50% na comparação trimestral e 5% acima das projeções do BTG. A receita de tarifas também surpreendeu positivamente, com maior volume total de pagamentos (TPV).A XP Investimentos destacou a aceleração dos volumes de crédito, com níveis saudáveis de inadimplência de curto prazo, além da expansão da margem financeira (NIM) em 90 pontos-base trimestre contra trimestre, beneficiada por menor custo de funding e melhora no mix.Mas nem tudo agradouO Bradesco BBI apontou que o lucro antes de impostos ficou 13% abaixo do esperado, refletindo provisões maiores (alta de 27% no trimestre) e despesas operacionais mais elevadas.Parte do impacto foi considerada pontual — como ajustes de ativos fiscais diferidos (DTA), custos ligados ao retorno ao escritório e despesas associadas ao SOFIPO no México. Ainda assim, os analistas alertam que o aumento estrutural de investimentos em tecnologia, expansão global e estrutura interna pode limitar ganhos de eficiência no curto prazo.O Safra também diz que este não foi um trimestre com surpresas positivas capazes de gerar reação favorável no mercado, diferente do terceiro trimestre, quando o banco se beneficiou de ECL (sigla para Perda de Crédito Esperada, em português) estruturalmente menor.Segundo a XP, apesar da melhora na inadimplência, as provisões subiram 26% devido à estratégia de expansão de limites de crédito, pressionando a margem ajustada ao risco (Risk Adj. NIM).No campo das despesas, houve impacto adicional de US$ 22 milhões relacionado à transição para o modelo híbrido. Em novembro de 2025, o Nubank anunciou que, a partir de julho de 2026, cerca de 70% dos funcionários passarão a trabalhar presencialmente dois dias por semana.O JPMorganobservou que o lucro acima das expectativas se deveu, em parte, a uma taxa efetiva de imposto menor que a prevista — ponto que pode alimentar a narrativa dos investidores mais pessimistas.Já o Citigroup resumiu: receita forte e aceleração no crédito, mas custo de risco e despesas deixam o cenário mais nebuloso.E a IA?O tema inteligência artificial também apareceu na teleconferência. O CEO, David Vélez, afirmou que o núcleo do negócio do Nubank é reduzir fricções em serviços financeiros — algo que a IA tende a facilitar.Segundo ele, o crédito é um segmento mais defensável por ser intensivo em capital, o que cria barreiras naturais. A empresa monitora de perto os riscos de disrupção, mas vê mais oportunidades do que ameaças.A estratégia é seguir investindo fortemente em IA para capturar ganhos de eficiência e fortalecer o posicionamento competitivo.O que fazer com a ação?Enquanto o Ibovespa avança no ano e bancos tradicionais como Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) acumulam altas relevantes, o Nubank ficou para trás — o que aumenta a frustração, especialmente considerando seu peso elevado no EWZ, ETF que replica ações brasileiras em Nova York.O BTG avalia que o mercado está com tolerância quase zero a qualquer desvio das expectativas. Ainda assim, considera que o papel está barato.Pelos cálculos do banco, o Nubank negocia a cerca de 20x o P/L (preço sobre lucro) projetado para 2026 e 15x para 2027, múltiplos vistos como atrativos diante do crescimento.Entre os pontos positivos destacados:aceleração contínua da operação principal no Brasil;tração em novas frentes, como crédito consignado, PMEs e alta renda;ritmo encorajador no México;potencial de expansão bancária nos EUA no longo prazo.A dúvida, agora, não é sobre a qualidade do resultado — mas se o mercado está disposto a pagar por ele em um ambiente de maior aversão a risco e questionamentos sobre o impacto da IA.Veja na tabela abaixo:CasaRecomendaçãoPreço-alvoPotencialXPNeutraUS$ 11,30-16%SafraCompraUS$ 2232%BTGCompraUS$ 2232%