Goldman vê alavanca de US$ 80 bi para crescimento das mineradoras e destaca Vale

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As principais mineradoras globais estão em um “tesouro escondido” capaz de redefinir o próximo ciclo do setor, conforme aponta relatório do Goldman Sachs sobre o setor. De acordo com o banco, os ativos de infraestrutura hoje embutidos nas operações — como ferrovias, portos, usinas de energia e sistemas de água — podem liberar até US$ 80 bilhões para financiar crescimento, fusões e aquisições e elevar retornos ao acionista.O estudo afirma que o setor entra em uma fase em que a disciplina de capital voltará a ser determinante para geração de valor. Com a escalada de custos para garantir exposição a commodities com fundamentos sólidos, especialmente o cobre, a capacidade de financiar expansão sem comprometer balanços será diferencial competitivo.Infraestrutura negligenciada pode virar fonte de capitalAs mineradoras investiram bilhões em infraestrutura ao longo de décadas, especialmente em regiões remotas. Esses ativos — essenciais para transportar minério, gerar energia e garantir abastecimento de água — costumam ter retorno mais baixo e são valorizados pelo mercado a múltiplos inferiores aos observados em empresas de infraestrutura listadas.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai com PETR4 e VALE3, e perde os 191 mil pontosÍndices futuros dos EUA recuam após balanço de Nvidia O Goldman Sachs calcula que seis grandes mineradoras possuem cerca de US$ 95 bilhões em infraestrutura, dos quais até US$ 38 bilhões poderiam ser monetizados por meio de estruturas sintéticas que permitem levantar capital sem vender os ativos nem perder controle operacional. Entre os maiores potenciais estão Rio Tinto e Vale (VALE3), cujas redes de portos, ferrovias e sistemas de energia chegam a representar até 20% do valor de mercado. O banco tem recomendação neutra para Rio Tinto e de compra para as ações da Vale. Modelo BHP–GIP vira referênciaA equipe de análise cita como exemplo o acordo firmado no fim de 2025 entre a BHP e o fundo Global Infrastructure Partners, no qual a mineradora receberá US$ 2 bilhões ao ceder 49% de sua participação econômica na rede de energia do Pilbara. Na prática, a BHP mantém controle total dos ativos, enquanto cria um fluxo de pagamentos fixos e indexados à inflação para o investidor — um tipo de “PPA sintético”.Esse modelo, diz a análise, pode ser replicado em portos e ferrovias, criando uma nova forma de financiamento de longo prazo, com custo inferior ao WACC típico das mineradoras.Minério de ferro: até US$ 25 bilhões podem ser destravadosUma grande oportunidade está no minério de ferro: redes de portos e ferrovias de BHP, Rio Tinto, Fortescue, Vale (VALE3) e Anglo American poderiam liberar US$ 25 bilhões. Com demanda estável e volumes altamente previsíveis — o que agrada fundos de infraestrutura — esses ativos oferecem uma relação risco-retorno rara.O Goldman calcula que transações precificadas entre 14x e 16x EV/Ebitda (valor da firma/lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) gerariam valor positivo tanto para investidores quanto para mineradoras.Para o Goldman, o movimento não deve ser visto como necessidade de caixa, já que o setor se encontra com balanços robustos. A questão central é estratégica: transformar infraestrutura subavaliada em capital de baixo custo, para acelerar novos projetos, participar de consolidações e melhorar a remuneração ao acionista sem comprometer controle nem flexibilidade operacional.The post Goldman vê alavanca de US$ 80 bi para crescimento das mineradoras e destaca Vale appeared first on InfoMoney.