O presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), afirmou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, atuará como aliado na disputa presidencial e disse que “a campanha de Tarcísio será casada com a de Flávio [Bolsonaro]”. A afirmação foi feita durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News, nesta quinta-feira (26). O parlamentar também detalhou o planejamento da sigla para as eleições, rebateu rumores sobre a saída do governador do partido e avaliou cenários políticos e econômicos.De acordo com Pereira, a pressão para que Tarcísio faça acenos públicos e entre de imediato na campanha presidencial ainda não condiz com o que permite o calendário político. “As pessoas precisam entender que cada pessoa tem seu tempo, e não tenho dúvidas de que, consolidando a candidatura de Flávio (PL-RJ), o Tarcísio vai entrar na campanha pela lealdade que tem a Bolsonaro, e também porque ele é um político de direita, de oposição ao governo federal. No tempo certo, ele vai entrar na campanha, até porque agora não pode fazer campanha. Mas tenho certeza de que, quando puder, a campanha de SP será casada com a de Flávio”, explicou.Ele também afastou a possibilidade de Tarcísio disputar as eleições presidenciais, já que o chefe do Executivo paulista precisaria renunciar ao estado de São Paulo até 4 de abril. “Eu não diria impossível, mas é extremamente difícil que aconteça, porque ele precisa renunciar até 4 de abril. Mas com a consolidação de Flávio que tenho visto, está cada dia mais distante Tarcísio ser candidato à presidência, porque ele é bem leal ao ex-presidente Bolsonaro”, afirmou.Além disso, o presidente do Republicanos tratou como natural o assédio de outros partidos sobre Tarcísio, mas afirmou que ele permanece na legenda: “Ele está feliz, se sente acolhido pelo partido, e em todos esses momentos de assédio, ele me passou muita segurança de que continuaria no Republicanos”.Aproximação de Tarcísio e FlávioA colunista da Jovem Pan Beatriz Manfredini apurou que Flávio Bolsonaro deve fazer a primeira aparição pública ao lado de Tarcísio na sexta-feira (27). Os dois participarão de um evento promovido pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), que também contará com a presença do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.Com isso, André do Prado, que disputa a possibilidade de vice na chapa de Tarcísio à reeleição, vai juntar os quatro pela primeira vez em clima de pré-campanha. A foto conjunta deve ser importante para reforçar o pedido do PL pela vaga – recentemente, como antecipado com exclusividade pela coluna, a disputa foi acirrada com uma lista em apoio a do Prado que circula pela Casa, além da pressão de Valdemar.O PL argumenta que tem a maior bancada da Casa, que ajudou em todos os projetos do governador – internamente, no entanto, Tarcísio tem resistido, e dito que o partido já está contemplado na chapa nacional, com Flávio.Até o momento, todos – Tarcísio, Valdemar e Flávio – confirmaram presença no evento, segundo assessoria.Alianças por estadoSobre a possibilidade de o partido liberar palanques regionais distintos – divididos entre aliados do presidente Lula e de Flávio Bolsonaro –, o deputado federal Marcos Pereira destacou que as decisões só ocorrerão após a janela partidária, em 4 de abril, período em que parlamentares podem mudar de sigla.“Quero começar o debate internamente, mas após o fechamento da janela, para analisar como vai ficar o novo quadro da bancada. É um tema que vamos iniciar lá para a segunda quinzena de abril, início de maio”, detalhou Marcos. A definição final ficará para o segundo semestre. “O caminho do Republicanos passa por esse diálogo interno, mas passa também por uma avaliação das candidaturas mais competitivas por volta de junho, julho, mais tardar em agosto, que é quando a lei nos impõe a tomada de decisão. Por essa diversidade do país, só poderemos tomar essa decisão depois”, disse.Ao ser perguntado sobre as chances de o partido apoiar formalmente a reeleição de Lula, o deputado federal indicou que o perfil majoritariamente conservador do Republicanos dificulta o movimento.“Tem chance, mas não queria dar nota. Mas na prova que a média é 5, a nota está abaixo, porque o partido é de centro-direita”, afirmou. Ele argumentou que todos os cinco senadores do partido são de oposição e que, na Câmara, a ampla maioria tem posicionamento alinhado à centro-direita. “Não posso ir contra a maioria”, justificou.Acordo UE-MercosulMarcos Pereira é o deputado relator do texto sobre o acordo da UE-Mercosul na Câmara, que foi aprovado na quarta-feira (25). Ele relembrou sua participação direta na retomada das negociações com o bloco europeu em 2016, durante o governo de Michel Temer, onde foi ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, e destacou que a aprovação pode render empregos e gerar renda ao Brasil.“Esse tema avançou nos governos Temer, Bolsonaro, e agora no governo Lula se concluiu. A mensagem que damos com esse tema não é um acordo de governos. Passou por vários governos. É um acordo do país que vai aumentar as importações e exportações, gerar emprego e gerar renda”, completou.A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. A decisão ainda segue para ser aprovada no Senado, etapa final para entrar em vigor. A senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP-MS) será relatora do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE) no Senado. “Recebi a missão de relatar o acordo no Senado”, disse Tereza Cristina a jornalistas, durante o lançamento do Instituto Diálogos, think tank, voltado ao debate e à proposição de políticas públicas. Ela será presidente do Conselho de Administração do instituto.A senadora afirmou também que o “acordo está posto”, podendo serem feitas recomendações no texto para aprovação do Congresso. Ela defendeu ainda a regulamentação das salvaguardas internas como mecanismo para o Brasil estar preparado para o pacto. “É um acordo enorme e complexo. O Brasil precisa olhar com cuidado”, acrescentou, citando as 9 mil páginas do tratado comercial.Votação na CâmaraMarcos Pereira participou de uma reunião mais cedo com o vice-presidente da República e também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para tratar o acerto da votação.O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), relator do acordo na Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, já tinha aprovado o texto assinado no Paraguai, no dia 9 de fevereiro. “A aprovação deste instrumento é, acima de tudo, resultado da solidez do nosso mercado e da nossa força produtiva“, diz parte da decisão. Leia também Homem condenado por estupro de menina de 12 anos e mãe da vítima são presos Marcelo Calmo, ex-prefeito de Lajeado, é preso por crimes ligados às enchentes de 2024