O Bitcoin (BTC) está terminando fevereiro como começou o ano: pressionado. A queda no mês gira em torno de 17%, praticamente um déjà vu de novembro, quando o recuo foi de 17,5%, no quinto mês seguido no vermelho – uma sequência que muda o humor até do investidor mais convicto.Nos últimos dias, houve reação depois de o preço encostar na faixa dos US$ 62 mil. Ainda assim, o ativo segue cerca de 48% abaixo do topo histórico de US$ 126 mil, alcançado em outubro de 2025. No acumulado de 2026, a baixa já chega a 25%.A tentativa de recuperação perdeu tração junto com a queda das bolsas americanas, enquanto o ouro avançava com o aumento dos riscos macroeconômicos e a apreensão por um possível ataque dos EUA ao Irã. Mas o mercado encara como um sintoma natural do amadurecimento do ativo.Leia tambémDólar a R$ 5? O que esperar para o câmbio após nova queda da divisa em fevereiroAnalistas veem espaço para mais quedas da divisa americana ante o realIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai com IPCA-15 mais forte e exterior negativoBolsas dos EUA recuam após inflação ao produtor acelerar“As criptomoedas não são mais um mercado de nicho, mas uma peça central do ecossistema financeiro global focado na inovação”, defende Fabio Plein, diretor da Coinbase no Brasil. Segundo ele, o mercado está deixando para trás a volatilidade puramente especulativa e entrando em uma fase “fundamentada na utilidade”.“Inverno” termina quando?A tentação imediata é falar em novo bear market clássico. A última vez em que o Bitcoin caiu por tantos meses seguidos foi na virada de 2018 para 2019, quando emendou seis meses no vermelho. Mas analistas afastam a comparação entre os dois períodos.Para Maximiliaan Michielsen, analista sênior da 21Shares, o que está acontecendo agora é “uma reprecificação macroeconômica e um reset de alavancagem, não uma deterioração dos fundamentos de longo prazo do Bitcoin”.Ele lembra que, em ciclos anteriores, o Bitcoin chegou a cair 80% do topo, com volatilidade anual acima de 100%. Hoje, a queda gira em torno de 45% desde o pico, com volatilidade próxima de 40%.“A magnitude e o perfil de volatilidade são materialmente menores”, afirma. A leitura é de um mercado mais maduro, com mais liquidez e presença institucional. Isso não impede a dor no curto prazo, mas muda a natureza da crise, defende o especialista.Fevereiro foi de fato um ajuste de contas para quem estava alavancado demais. Segundo a 21Shares, houve cerca de US$ 1,4 bilhão em liquidações de posições compradas e uma redução relevante no interesse aberto em futuros.“O excesso especulativo foi eliminado”, diz Michielsen. Ou seja, menos combustível para quedas em cascata no curtíssimo prazo.Próximo do fundoO mercado acredita que o fundo do Bitcoin esteja próximo da zona atual. Mas, ao mesmo tempo, cresce a busca por proteção abaixo da região dos US$ 60 mil, como mostram dados citados da Deribit, a maior corretora de derivativos de ativos digitais do mundo.Nos ETFs, houve saída de recursos, mas nada que lembre debandada. De acordo com Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin, desde novembro foram retirados cerca de US$ 7,8 bilhões de um total de US$ 61,6 bilhões, algo perto de 12%.Ele faz uma distinção importante: “Existe uma base maior, mais estratégica, e um capital mais sensível às quedas e ao medo, que reage mais rápido”. Em momentos de tensão, explica, é esse dinheiro mais reativo que sai primeiro.Szuster lembra ainda que ciclos de baixa anteriores duraram entre 12 e 13 meses. E pondera que, estatisticamente, o mercado pode estar entrando na fase em que “estamos na zona onde os melhores preços médios costumam ser construídos”.Para Marcelo Person, crypto treasury & markets director da Foxbit, o fluxo nos ETFs continua sendo um dos principais indicadores de sentimento de que o interesse pelo ativo permanece. “Março tende a confirmar se o movimento iniciado no primeiro trimestre terá continuidade”, aponta, sinalizando possível recuperação do ativo.The post Bitcoin afunda pelo 5º mês seguido e testa paciência do investidor; fundo chegou? appeared first on InfoMoney.