A Câmara dos Deputados aprovou o PL Antifacção retomando o texto original e rejeitando alterações feitas pelo Senado. A proposta amplia penas para crimes ligados a facções e cria instrumentos como um banco nacional para identificação dessas organizações.Apesar do discurso público de endurecimento contra o crime, o centro da discussão foi outro. “A grande discussão não era nenhum assunto referente à segurança pública”, afirmou Bianca Lima, analista de política da XP, no programa Mapa de Risco desta sexta-feira (27), ao relatar o clima da sessão que avançou pela madrugada. Segundo ela, o embate se concentrou na Cide-Bets, contribuição incluída pelo Senado para financiar ações de segurança por meio da tributação de apostas esportivas. O trecho foi retirado do texto final e deverá tramitar em projeto autônomo.Leia tambémHugo Motta fecha acordo com PT para indicação ao TCUPresidente da Câmara quer Odair Cunha na vaga de Aroldo Cedraz no TCU, mas enfrenta resistência com candidaturas de Hélio Lopes, Hugo Leal e Danilo ForteA votação ocorre em um momento em que o governo busca fortalecer sua posição em temas sensíveis ao eleitorado, como segurança pública e corrupção, que figuram entre as principais preocupações apontadas nas pesquisas recentes.A própria dinâmica da sessão reforçou essa leitura. “Ali nos 48 do segundo tempo (…) a grande discussão nos bastidores referente ao PL Antifacção não era nenhum assunto referente à segurança pública”, detalhou Bianca. O resultado preserva o discurso de endurecimento penal, mas esvazia a discussão sobre como financiar as medidas.Tributação adiadaA retirada da taxação da bets para financiar o combate às facções criminosas reduz a resistência imediata ao texto principal, mas enfraquece a chance de avanço do tema tributário. “Muito dificilmente isso vai para frente”, avaliou Bianca sobre a possibilidade de a contribuição avançar isoladamente. A estratégia de separar os assuntos evita que a pauta de segurança fique travada por divergências fiscais, mas também retira o impulso político que o tema poderia ter ao ser associado ao combate ao crime organizado.O episódio evidencia a dificuldade de avançar em medidas que envolvam aumento de carga, mesmo quando vinculadas a políticas públicas de forte apelo. A tributação sobre apostas mobiliza interesses organizados e costuma gerar pressão no Congresso.The post Mapa de Risco: Debate sobre bets dominaram votação do PL Antifacção na Câmara appeared first on InfoMoney.