O novo foguete Vulcan Centaur, da United Launch Alliance (ULA), enfrenta um momento delicado. A Força Espacial dos Estados Unidos determinou a suspensão de todos os lançamentos do veículo destinados a missões de segurança nacional após a identificação de uma segunda anomalia envolvendo seus propulsores de combustível sólido em menos de dois anos.O incidente mais recente ocorreu durante a missão USSF-87, lançada em 12 de fevereiro da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida. Aproximadamente 20 segundos após a decolagem, um dos quatro foguetes auxiliares de combustível sólido do Vulcan apresentou um comportamento fora do esperado. Apesar do problema, os motores principais BE-4 do primeiro estágio conseguiram compensar a perda de desempenho, e a missão foi concluída com sucesso, entregando em órbita dois satélites de reconhecimento do Programa de Conscientização Situacional Espacial Geoestacionária (GSSAP).O que torna a situação particularmente preocupante é a recorrência. Em outubro de 2024, durante um voo de certificação, o Vulcan já havia sofrido uma anomalia semelhante, quando um defeito de fabricação causou o desprendimento de parte do bocal de um dos propulsores. Na ocasião, o foguete também conseguiu completar a missão, mas o problema atrasou significativamente o cronograma de certificação para voos militares.Representação artística do foguete Vulcan Centaur na órbita da Terra. Crédito: ULAA Força Espacial não pretende correr riscos. O Coronel Eric Zarybnisky, responsável pelo portfólio de acesso assegurado ao espaço, confirmou que não haverá novos lançamentos até que a causa raiz seja identificada e corrigida.“Este será um processo que levará muitos meses, enquanto trabalhamos para identificar o problema técnico exato que ocorreu e as ações corretivas que precisamos tomar para garantir que isso não aconteça novamente”, declarou Zarybnisky durante o Simpósio de Guerra da Associação da Força Aérea, em 25 de fevereiro.A suspensão atinge diretamente o ambicioso cronograma da ULA, que previa mais de duas dezenas de lançamentos de segurança nacional para o Vulcan nos próximos anos. Entre as missões afetadas está o lançamento de um satélite GPS III, originalmente programado para março, e o primeiro satélite da nova geração de infravermelho persistente (Next-Gen OPIR), previsto para maio.Leia mais:Geografia estratégica? Por que o Brasil é essencial para o crescimento da StarlinkSpaceSail: a concorrente chinesa que desafia a Starlink no BrasilNova Sonic: Amazon lança IA que conversa igual genteUm momento delicado para a ULAA paralisação chega em um momento particularmente turbulento para a empresa, uma joint venture entre Boeing e Lockheed Martin. O CEO de longa data, Tory Bruno, que liderou todo o desenvolvimento do Vulcan, renunciou ao cargo no final de 2025 para assumir a presidência de segurança nacional na Blue Origin — concorrente direta da ULA e justamente a fabricante dos motores BE-4 que equipam o foguete.A empresa agora opera com um CEO interino, John Elbon, enquanto busca um substituto permanente. Apesar das dificuldades, a ULA afirma estar trabalhando em estreita colaboração com a Northrop Grumman, fabricante dos propulsores sólidos GEM 63XL, para estabelecer uma equipe de investigação e implementar as correções necessárias.Renderização do foguete Vulcan Centaur, o veículo de lançamento de próxima geração da United Launch Alliance, que deve ser lançado em seu primeiro voo de teste no Natal. Crédito: United Launch AllianceEnquanto isso, a Força Espacial avalia alternativas. Embora não haja, por enquanto, planos de transferir cargas para outros foguetes — como o Atlas V (também da ULA) ou o Falcon 9 (da SpaceX) — a pasta afirma que está analisando “todas as opções disponíveis” para garantir a entrega de capacidades críticas aos militares. O cronograma do Vulcan, outrora visto como o futuro do lançamento pesado americano, agora depende de uma investigação que pode se estender por muitos meses.O post Força Espacial suspende lançamentos do novo foguete apareceu primeiro em Olhar Digital.