A votação de um pacote de 87 requerimentos, que incluem a quebra do sigilo bancário e fiscal do filho mais velho do presidente Lula e de um ex-sócio do Banco Master, gerou um imbróglio político entre parlamentares governistas e opositores. Os pedidos foram aprovados em bloco sob protestos de “golpe” e “fraude” por parte dos parlamentares petistas, que levaram fotos da sessão para convencer o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a anular a votação.Pelas imagens, há 14 parlamentares contrários à aprovação dos pedidos, o que, pelas contas dos governistas, seria suficiente para rejeitá-los. O presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), contesta ao dizer que a conta está errada.Leia tambémApós quebra de sigilo na CPMI, deputados pedem prisão e extradição de LulinhaRepresentação assinada por 47 parlamentares cita risco de evasão; CPMI aprovou quebra de sigilo do filho de LulaNão vou agir politicamente contra ninguém, diz Viana após quebra de sigilo de LulinhaSenador Carlos Viana (Podemos-MG) também comemorou o que classificou como “vitória” contra o governoTodo o imbróglio começou quando, com a articulação dos governistas, a comissão decidiu votar os 87 itens da pauta em uma tacada só ao invés de um por um, conforme pedia a oposição. Essa primeira votação foi nominal e o resultado foi de 18 a 12 — alguns parlamentares participaram da sessão de forma virtual.Naquela altura, o sentimento era que a oposição sairia derrotada mais uma vez na tentativa de mirar as atenções da CPI para as movimentações financeiras de Fábio Luis. Para se defender da crítica de que estavam atuando para “blindar” investigados, os petistas explicaram que iriam bloquear a pauta até que Viana colocasse em votação requerimentos sobre as contas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e governadores de direita, como Ibaneis Rocha (Distrito Federal) e Cláudio Castro (Rio).Após a decisão de apreciar os pedidos em bloco, os deputados e senadores iniciaram a deliberação sobre aprová-lo ou não. Viana declarou que, diferente da primeira, aquela votação seria simbólica. Ou seja, quem era contra o pacote teria que se levantar e quem era a favor permanecer sentado.A partir daí a começou a confusão. Quatorze parlamentares governistas se manifestaram contra, mas Viana só contou sete e decretou a aprovação dos requerimentos. Apesar da contagem errada — depois admitida por Viana —, o imbróglio permaneceu em relação a qual, de fato, era o quórum da sessão.Viana e a oposição dizem que o quórum válido era o de 31 parlamentares, registrados na primeira votação. Segundo ele, as deliberações aconteceram de forma “conjunta”. E, portanto, mesmo com 14 votos contrários, os governistas não conseguiram a maioria e saíram derrotados.— Naquele momento, dentro do procedimento que foi iniciado, o quórum era 31, como mostrava o painel. Eram necessários 16 votos. (Eles) não estavam em plenário.Na conta do PT, como a votação era simbólica, só valia o quórum dos parlamentares presentes naquele momento, que somavam 21, segundo o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), líder dos governistas na comissão. Com esse número, os petistas teriam saído vitoriosos.— O que aconteceu foi uma fraude na contagem de votos. Foi uma ação deliberada do presidente da comissão e vamos deliberar no Conselho de Ética contra ele por violação de um resultado de uma votação e uma atitude desonesta — acusou Pimenta.Nos bastidores, os governistas declaram ter esperanças que irão anular a votação com Davi Alcolumbre. Pimenta explicou que mostrou ao presidente as imagens do momento da votação que, segundo ele, comprovam a fraude. Caso Alcolumbre não intervenha, os petistas não descartam a possibilidade de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).Viana, por sua vez, argumentou ter uma boa relação com Alcolumbre, mas que está há mais de um mês sem falar com ele. O presidente da CPI já pediu diversas vezes para prorrogar a duração da comissão, que se encerra oficialmente no fim de março.The post Petistas usam foto de CPMI para dizer que tinham maioria em votação sobre Lulinha appeared first on InfoMoney.