Poluição do ar ultrapassa limites de segurança no Brasil

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A qualidade do ar nas cidades brasileiras permanece acima dos níveis considerados seguros para a saúde humana. É o que aponta o Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, que identificou a ultrapassagem frequente dos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em diferentes regiões do país. O levantamento reúne dados coletados em estações de monitoramento distribuídas pelo território nacional e, pela primeira vez, passa a considerar os novos padrões definidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) em 2024. A resolução estabeleceu metas graduais para que o Brasil avance até alcançar os parâmetros internacionais de qualidade do ar. Segundo o relatório, poluentes como ozônio, monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre e material particulado — especialmente o chamado material particulado fino — apresentam episódios recorrentes de concentração acima dos níveis recomendados. Essas substâncias são resultado principalmente das emissões veiculares, atividades industriais, geração de energia baseada em combustíveis fósseis e queimadas, fatores que se intensificam em períodos de seca e altas temperaturas. Especialistas apontam que o material particulado fino representa um dos maiores riscos, por conseguir penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea, aumentando a incidência de doenças respiratórias e cardiovasculares.Os dados também mostram variações sazonais na poluição atmosférica, com piora da qualidade do ar em determinados períodos do ano, especialmente em regiões metropolitanas e áreas impactadas por queimadas. O avanço do monitoramento e a atualização dos padrões ambientais ampliam a capacidade de diagnóstico do país, mas também evidenciam um desafio crescente para a gestão urbana e ambiental. A melhoria da qualidade do ar depende de políticas públicas voltadas à mobilidade sustentável, controle de emissões industriais, transição energética e redução do desmatamento e das queimadas. O relatório reforça que a poluição atmosférica deixou de ser um problema pontual e passou a integrar o conjunto de riscos ambientais associados à urbanização acelerada e às mudanças climáticas, com impactos diretos sobre a saúde da população e o funcionamento das cidades.