Gerdau vê antidumping como “divisor de águas” no Brasil e descarta, por ora, listagem nos EUA

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Depois de um trimestre marcado por forte contraste entre Estados Unidos e Brasil, a teleconferência da Gerdau (GGBR4), realizada nesta terça-feira (24), reforçou dois pontos centrais da tese da companhia: confiança na melhora gradual do ambiente doméstico com avanço das medidas de defesa comercial e manutenção do bom momento da operação norte-americana.O CEO Gustavo Werneck afirmou que o mercado pode estar exagerando na leitura negativa sobre o Brasil, especialmente diante da diferença de margens entre as regiões.“Eu tenho um pouco de discordância com algumas análises que penalizam os nossos resultados por uma diferença tão significativa de margem entre a América do Norte e o Brasil”, disse.Segundo ele, a possível decisão definitiva sobre o antidumping de bobinas a quente — esperada para junho ou julho — pode marcar uma virada relevante.“Se sair de forma definitiva agora no meio do ano, isso já traz uma perspectiva de melhoria. Eu estou muito confiante de que esse antidumping do BQ pode ser um divisor de águas.”Werneck também fez questão de defender a medida, tentnado diferenciar o que ele chama de proteção à indústria de defesa comercial. “Eu sou muito cuidadoso quando uso a palavra proteção. Eu prefiro falar em defesa. A indústria não precisa ser protegida de ninguém, mas precisa ser defendida contra competição desleal.”O executivo afirmou que vê uma transição no Brasil, com decisões deixando de ser políticas e passando a ser técnicas — movimento que, na visão dele, tende a dar mais previsibilidade ao setor.Nos últimos anos, o avanço do aço importado — especialmente da China — pressionou spreads no mercado interno e levou siderúrgicas a reverem planos de investimento. Segundo Werneck, o avanço das investigações e das alíquotas pode melhorar gradualmente esse cenário.Apesar disso, ele descartou mudanças imediatas na alocação de capital. “A gente não vai mudar o nosso guidance de capital para esse ano”, afirmou, reforçando o plano de investimentos ao redor de R$ 4,7 bilhões.O foco, segundo ele, segue sendo ganho estrutural de competitividade, com destaque para a plataforma de mineração sustentável em Miguel Burnier e para a eficiência operacional da usina de Ouro Branco. “A saúde da nossa usina de Ouro Branco é bastante diferenciada. Isso traz uma nova equação de competitividade”, disse.Enquanto o Brasil ainda busca reequilibrar o mercado, os Estados Unidos seguem sendo o principal pilar de rentabilidade da companhia.Werneck voltou a elogiar o impacto das tarifas da Section 232 no país. “A Section 232 é transformadora do ponto de vista de defesa da indústria e até de reindustrialização.”Segundo ele, embora o processo de reindustrialização ainda não esteja totalmente visível nos indicadores macro, o movimento já é perceptível no dia a dia da operação.A companhia também afirmou que ainda enxerga espaço para melhora de margens na América do Norte antes de qualquer deterioração estrutural.Listagem nos EUA? Sem plano concretoDiante da crescente relevância dos Estados Unidos no resultado consolidado, investidores voltaram a questionar uma eventual reestruturação societária ou listagem separada da operação.O CFO Rafael Japur afirmou que o tema é monitorado, mas não há plano concreto em andamento. “A gente não tem nenhum estudo concreto ou plano de ação sendo executado hoje com relação à listagem da companhia”, disse.Segundo ele, a administração acompanha casos de empresas que trilharam esse caminho, mas qualquer decisão dependeria de potencial claro de destravamento de valor.Japur também comentou a possibilidade de monetização de ativos não estratégicos. Nesta, ativos florestais ligados à produção de carvão vegetal e imóveis herdados de aquisições ao longo dos anos estão sendo monitorados. “Se a gente confirmar que há um excedente relevante de florestas e terras, podemos monetizar parte disso ao longo do tempo”, afirmou.