A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT-MG), disse em coletiva de imprensa, concedida nesta segunda-feira (24), que é esperado mais chuva e consequentemente “novos eventos críticos”. O estado de MG já registra 21 mortes em Juiz de Fora e mais 7 na cidade de Ubá em razão das fortes tempestades que começaram na segunda-feira (23).A coletiva contou com a presença da prefeita, do vice-prefeito, Marcelo Detoni (PSB), de Luis Fernando Martins representando a Defesa Civil de Juiz de Fora e o presidente da câmara dos vereadores da cidade, o vereador José Márcio-Garotinho (PDT).Salomão fez questão de recomendar que qualquer um que esteja em lugar de risco saia imediatamente. “Se você está em um lugar caracterizado pela Defesa Civil como nível de risco 4, procure a gente e venha para um dos nossos lugares que iremos te acolher e assim você estará a salvo”, pediu Salomão. Abrigos foram montados em 4 escolas diferentes para as 443 pessoas (até o momento) desalojadas e desabrigadas em Juiz de Fora.A prefeita também solicitou que, os que se encontram em lugares seguros, não saiam de casa. “Se você não tiver necessidade inadiável de fazer algo fora de casa, é preferível que fique em casa”, completou.A gestora confirmou que as aulas na rede pública foram suspensas e aconselhou que as aulas das redes privadas também sejam interrompidas para diminuir a circulação de pessoas pela cidade e os riscos desnecessários.Quatro áreas de risco da cidade já foram interditadas na cidade para a remoção de pessoas. “Nós vamos ser muito severos nisso [retirada de pessoas] e recomendações de afastamentos do risco porque nós não queremos ter mais situações dolorosas”, informou Salomão.“Cem Anos de Solidão”Em entrevista à Globonews, a prefeita comparou a destruição provocada pela chuva que atingiu o município à tragédia climática retratada pelo escritor colombiano Gabriel García Marques no fictício vilarejo Macondo, no romance “Cem anos de solidão”. Na literatura, o município é atingido por uma chuva que dura mais de quatro anos.“O que aconteceu ontem foi uma coisa inusitada. Parecia Cem anos de Solidão, Macondo. Eu rezava para a chuva passar. Era intensa, destrutiva”, disse.“Foi uma coisa extraordinariamente ruim e nós estamos nos preparando para o pior que possa acontecer”, completou. A região permanece em alerta e deve receber mais chuvas nas próximas horas.Segundo a gestora, fevereiro já acumulou até então 584 mm de precipitação, se tornando o mês mais chuvoso da história do município.Inmet emite alerta vermelhoO Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu nesta terça-feira um alerta vermelho para acúmulo de chuvas nas cidades de Ubá e Juiz de Fora, já fortemente atingidas pelo temporal. O alerta deve durar até a noite de sexta-feira (27) e também é válido para o Rio de Janeiro, Espírito Santos e o litoral de SP. O aviso indica a possibilidade de volumes superiores a 60 mm/h ou acima de 100 mm por dia.Veja as principais áreas que devem ser afetadas:Litoral Paulista;Parte da zona metropolitana de São Paulo;Vale do Rio Doce;Vale do Paraíba Paulista;Oeste de Minas;Sul/Sudoeste de Minas;Metropolitana de Belo Horizonte;Campo das Vertentes;Sul Baiano;Parte da região metropolitana de Curitiba;Além dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo.Nessas áreas, segundo o Inmet, há grande risco para deslizamentos de encosta, alagamentos, transbordamentos de rios, corte de energia elétrica, estragos em plantações e queda de árvores.Além disso, um alerta laranja de chuvas perigosas também foi emitido nesta terça-feira, que deve durar também até a próxima sexta-feira. O INMET apontou chuvas de 50 e 100 mm/dia e ventos intensos que devem ficar entre 60 e 100 km/h. Veja as regiões afetadas:São PauloMinas GeraisRio de JaneiroEspírito SantoBahiaGoiásDistrito FederalMato Grosso e Mato Grosso do SulTocantinsAlém de trechos do Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Pernambuco, Rondônia e Paraná*Com informações do Estadão Conteúdo