Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do PovoFuncionalismo públicoPor Lúcio Vaz24/02/2026 às 16:13O Procurador-geral da República, Paulo Gonet, teve a terceira maior renda individual da instituição. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)Ouça este conteúdoOs penduricalhos do Ministério Público Federal (MPF) totalizaram R$ 364 milhões em 2025. Esses valores estão registrados nas categorias de “verbas indenizatórias” e “outras remunerações temporárias” nos arquivos do órgão. A remuneração básica (salário) somou R$ 548 milhões — média de R$ 40 mil por servidor. Ao todo, os procuradores receberam R$ 1 bilhão em um ano.O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes suspendeu, nesta segunda-feira (23), o pagamento de verbas indenizatórias — os chamados “penduricalhos” — a membros do Poder Judiciário e do Ministério Público. Ele expressou “perplexidade” diante da “desordem” nas remunerações do funcionalismo público.Na categoria “Outras remunerações temporárias”, que totalizaram R$ 59 milhões, está o adicional por tempo de serviço (VPNI). A Lei 8.112/1990 transformou em Vantagem Pessoal Nominalmente Identificada (VPNI) a incorporação da retribuição pelo exercício de função de direção, chefia ou assessoramento. Nas verbas indenizatórias — que somaram R$ 305 milhões — estão incluídos o auxílio-alimentação, o abono pecuniário e a indenização de folga.A maior renda anual individual foi a do procurador Francisco Marinho Filho, com R$ 1.298.138. Em segundo lugar ficou o subprocurador-geral Hindemburgo Chateaubriand Diniz, com R$ 1.281.236, e, em terceiro, o procurador-geral do MPF, Paulo Gonet, com R$ 1.278.453. A maior renda mensal foi a de Diniz, que chegou a R$ 228 mil. No total, 18 procuradores receberam valores mensais eventuais acima de R$ 200 mil.Desordem também no JudiciárioO blog já havia revelado os valores bilionários pagos pelo Judiciário em “venda de férias”, pagamentos retroativos e os misteriosos “outros” — uma afronta à Lei de Acesso à Informação. De setembro de 2017 a 2025, esses pagamentos custaram R$ 21 bilhões aos cofres públicos. Só os retroativos consumiram R$ 12 bilhões; as “vendas de férias”, R$ 5,8 bilhões; e os “outros”, R$ 10,5 bilhões. No total, são R$ 37 bilhões.Dos R$ 364 milhões em verbas indenizatórias do MPF, R$ 233 milhões correspondem a indenizações de folga compensatória, R$ 46 milhões a abono pecuniário, R$ 25 milhões a auxílio-alimentação, R$ 14 milhões a indenizações de férias e R$ 3,8 milhões a auxílio-pré-escolar. Entre os procuradores que receberam as maiores quantias estão Mário Lúcio Avelar (R$ 174 mil), Karen Kahn (R$ 141 mil) e Sandra Kishi (R$ 130 mil em indenização de folga).O blog apurou os gastos de cada tribunal com os “outros” nos últimos oito anos. As maiores despesas foram do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), com R$ 1,9 bilhão. O TJSP, maior tribunal do país, gastou R$ 777 milhões; o TJCE, R$ 654 milhões; o TJDF, R$ 613 milhões; e o TJPR, R$ 606 milhões. Somados, os tribunais estaduais torraram R$ 7,8 bilhões.Lúcio VazLúcio Vaz é jornalista. Cobre política em Brasília há 40 anos, revelando a corrupção nos três poderes. Com passagens por O Globo, Folha de S. Paulo e Correio Braziliense. Ganhou os prêmios Embratel e Latinoamericano de Jornalismo Investigativo ao descobrir a Máfia dos Sanguessugas. É autor dos livros "A Ética da Malandragem - no submundo do Congresso" e "Sanguessugas do Brasil". **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.Você pode se interessarEncontrou algo errado na matéria?Comunique errosUse este espaço apenas para a comunicação de errosPrincipais ManchetesReviravolta das tarifas de Trump teve saldo surpreendente para o BrasilCaso Master: Mendonça recebe dados sigilosos e Congresso acende alerta; acompanhe o Sem RodeiosFlávio modera discurso e mira centro enquanto Lula reforça narrativa para a baseVitória do agro extingue ação que tentava impor recuperação integral de áreas desmatadas após 1990Tudo sobre:JudiciárioMinistério PúblicoPaulo GonetWHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.Gazeta do PovoNotíciasOpiniãoInformações