A Binance foi utilizada durante o ano de 2024 para o envio de US$ 1,7 bilhão para entidades do Irã ligadas a grupos terroristas. Os dados foram descobertos por uma equipe contratada pela corretora para fazer uma auditoria interna, sendo que os investigadores foram mais tarde punidos em um episódio ainda pouco claro. As informações são do The New York Times, que teve acesso a uma série de documentos juntados neste processo. Os dados coletados pelo grupo de investigadores internos mostram que duas contas da Binance enviaram um total de US$ 1,7 bilhão para entidades iranianas ligadas a grupos terroristas e que uma destas contas pertence a um prestador de serviços da corretora. Além disso, no mesmo ano foram criadas mais de 1,5 mil contas para pessoas no Irã. O Irã é alvo de um amplo regime de sanções econômicas imposto pelos Estados Unidos, que proíbe pessoas e empresas americanas de realizar negócios com indivíduos, companhias e órgãos ligados ao país. As medidas também atingem empresas estrangeiras que mantêm operações nos EUA ou utilizam o sistema financeiro americano, por meio das chamadas sanções secundárias.A prestadora de serviços envolvida no caso se chama Blessed Trust, uma empresa com sede em Hong Kong e que, segundo os documentos envolvidos no processo, prestava serviços de pagamentos em moeda fiduciária para a Binance. Os cinco principais clientes desta companhia eram subsidiárias da corretora de criptomoedas. Do total, os investigadores descobriram que US$ 1,2 bilhão foram enviados da conta da Blessed Trust na Binance para entidades que estão ligadas a carteira de criptomoedas controladas pela Guarda Revolucionária do Irã, grupo que foi formalmente classificado como terrorista pelos Estados Unidos. Um representante da Binance disse ao New York Times que entre a carteira da Blessed Trust e os endereços controlados pela Guarda Revolucionária do Irã existiam “múltiplos intermediários, com mais de três graus de separação”.A corretora também disse que a Blessed era uma das várias prestadoras de serviço e que não tinha controle nenhum sobre suas ações. A Binance também informou que não possui mais relações comerciais com a companhia de Hong Kong desde janeiro.Além disso, a Binance afirma que tomou iniciativas após as descobertas dos investigadores e que não encontrou nenhum indício de que as sanções econômicas foram violadas. Investigadores demitidos A reportagem aponta que os investigadores informaram a liderança da empresa sobre as descobertas do uso de contas na corretora para envio de dinheiro ao Irã. Semanas depois, a empresa demitiu ou suspendeu quatro investigadores que conduziram o processo. Os documentos mostram que a corretora alegou que os funcionários “violaram o protocolo da companhia” no manejo de dados de clientes.O New York Times afirma ser “incerto” o motivo da demissão dos investigadores e aponta que mais de meia dúzia de profissionais de compliance deixaram a Binance nos últimos meses. Um representante da empresa disse que as demissões e suspensões não ocorreram por terem “levantado preocupações de compliance”.Binance admitiu culpa no passado Em 2023, a Binance admitiu perante a Justiça dos Estados Unidos ter culpa por crimes de falhas no combate à lavagem de dinheiro, operação de negócios de transmissão de dinheiro não licenciado e violação de sanções dos EUA. Além disso, admitiu ter permitido transações com o Hamas e outros grupos terroristas na plataforma. A corretora concordou em pagar uma multa de US$ 4,3 bilhões. Changpeng “CZ” Zhao, fundador da corretora, admitiu culpa por violações de lavagem de dinheiro e concordou em pagar uma multa separada de US$ 50 milhões. Além disso, cumpriu pena de quatro meses de prisão. O empresário teve inicialmente que deixar o compando da empresa. Porém, em 2025, CZ recebeu indulto do presidente Donald Trump e agora pode voltar ao mercado cripto dos EUA, o que ainda não ocorreu de forma oficial. O post Binance foi usada para enviar US$ 1,7 bilhão para grupo terrorista no Irã, diz NY Times apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.