Mulheres que decifram o cosmos: pesquisadoras explicam o papel dos buracos negros na evolução das galáxias

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A força feminina na astronomia foi o destaque do programa Olhar Espacial desta sexta-feira, 20. No segundo episódio da série especial sobre mulheres na ciência, Marcelo Zurita recebeu duas convidadas para discutir carreira acadêmica, pesquisa científica e a importância dos buracos negros supermassivos na evolução das galáxias. O encontro reforçou como a presença feminina cresce em áreas historicamente dominadas por homens.A doutoranda Catarina Aydar, pesquisadora no Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, na Alemanha, explicou como os buracos negros supermassivos influenciam diretamente a formação e a dinâmica das galáxias. Esses objetos podem ter milhões ou bilhões de vezes a massa do Sol e exercem papel central na chamada astrofísica extragaláctica, área que estuda estruturas além da Via Láctea.Mulheres na astronomia e pesquisa com buracos negrosCatarina trabalha com dados do telescópio espacial eROSITA, missão desenvolvida em colaboração entre a Roscosmos e o DLR. O equipamento observa o Universo em raios X, faixa do espectro eletromagnético associada aos fenômenos mais energéticos conhecidos — acima dela, apenas os raios gama.Segundo a pesquisadora, observar em raios X é uma forma de mapear as regiões mais quentes e violentas do cosmos. Explosões de supernovas, gás superaquecido em aglomerados de galáxias e, principalmente, os arredores de buracos negros emitem fortemente nessa faixa. “Não é o buraco negro em si que vemos, mas tudo o que acontece ao redor dele”, explicou.Dados do telescópio eROSITA e técnicas como espectroscopia revelam eventos energéticos em raios X no Universo. – (Imagem gerada porinteligência artificial-ChatGPT/Olhar Digital)Um diferencial do eROSITA é realizar um mapeamento completo do céu, no modelo conhecido como All-Sky Survey. “Isso permitiu a gente conhecer objetos que a gente não conhecia antes”, afirmou Catarina. Diferentemente de observatórios que apontam para alvos específicos mediante propostas aprovadas por comitês científicos, o satélite faz um escaneamento contínuo. Ele constrói um panorama amplo das fontes de raios X. Essa estratégia permite identificar objetos antes desconhecidos, que depois podem ser estudados com mais detalhe por telescópios como o Chandra X-ray Observatory ou o XMM-Newton.Como a ciência investiga o Universo em raios XO instrumento também opera em diferentes bandas de energia. Nas chamadas bandas “moles”, de menor energia dentro do regime de raios X, ainda é possível observar parte da estrutura da Via Láctea, atravessando nuvens de poeira interestelar. Já nas bandas “duras”, mais energéticas, predominam fontes compactas e extremamente ativas, como núcleos galácticos ativos e remanescentes de supernovas, que aparecem como pontos brilhantes no céu.Um dos focos da pesquisadora é o chamado feedback de AGN, fenômeno em que a matéria ao cair em direção ao buraco negro libera energia capaz de aquecer gases interestelares e interferir na formação de estrelas. Esse processo pode alterar a estrutura da galáxia ao longo de bilhões de anos, influenciando sua massa, formato e taxa de nascimento estelar. Segundo Catarina, “Buracos negros supermassivos liberam energia ao engolir matéria. Esse ‘feedback’ aquece ou expulsa gás da galáxia, podendo frear ou estimular a formação de estrelas a milhares de anos-luz”.Leia mais: Descoberto buraco negro antigo que ultrapassa o ‘limite de velocidade’ cósmicoNASA investiga buracos negros “perdidos” no espaçoBuraco negro pode ter enviado um “visitante” à TerraDurante o programa, também foram abordados conceitos como espectroscopia, técnica que analisa a luz emitida por objetos distantes para revelar composição química, temperatura e movimento. “No fundo, luz é o principal material que a gente usa na astronomia para fazer qualquer descoberta”, explicou a pesquisadora. Na prática, é por meio dessa análise que astrônomos conseguem extrair informações detalhadas de galáxias situadas a milhões ou bilhões de anos-luz da Terra.O post Mulheres que decifram o cosmos: pesquisadoras explicam o papel dos buracos negros na evolução das galáxias apareceu primeiro em Olhar Digital.