Sessenta anos após a Copa do Mundo da Inglaterra, o agasalho usado por Pelé no Mundial de 1966 voltou ao gramado de um estádio de futebol. Mais precisamente em cima de uma “casita”, vestindo um dos maiores artistas da música latina da atualidade. Um fenômeno homenageando um astro.No último fim de semana, o porto-riquenho Bad Bunny realizou dois shows no Allianz Parque, em São Paulo, e subiu ao palco decidido a homenagear a maior seleção do mundo. O gesto não era inédito – ele fez algo semelhante no Peru, mas a história, aqui, foi mais profunda. Leia Mais Denilson exalta união do grupo do Penta e destaca "objetivo coletivo" Taça da Copa do Mundo desembarca no Brasil; veja fotos Neymar na Copa: saiba quantas participações o craque tem na carreira Item de Pelé faz parte de coleção “invendável”Cássio Brandão tem mais de 6 mil camisas de futebol no seu acervo e está no Guinness Book desde 2024 como maior colecionador do mundo. Mas, embora ele lidere o Alambrado FC, marketplace que comercializa modelos de coleções passadas, parte dos itens não está à venda: os de Pelé.No sábado em que Bad Bunny se apresentaria pela segunda vez em São Paulo, quatro horas antes do show, Marvin Linares, stylist do cantor, estava no escritório de Brandão para a escolha das peças que poderiam ser utilizadas, acompanhado de Gabriel “Caco” Lira e Dan Moreira, dupla que o fez chegar ao colecionador.“A gente tinha um agasalho de 1958, também usado por Pelé, esse de 1966, da coleção dedicada a Pelé, e uma camisa da Copa do Mundo de 1978, 12, do Valdir Peres, linda. Mas foi Bad Bunny que fez a escolha, e acho que ela se mostrou muito acertada”, conta.“A peça ficou exposta no Museu do Futebol, e alguém havia mostrado para ele [Marvin]. (…) Pelé era uma referência, mas não nos restringimos a ela. Foi um grande trabalho de colaboração, de co-criação”, comenta.Além da camisa original de Pelé, no sábado (21), o porto-riquenho vestiu uma polo retrô usada pela seleção brasileira na Copa do Mundo de 1962, quando o Brasil conquistou o bicampeonato, no show da sexta (20).Ver essa foto no InstagramUm post compartilhado por Allianz Parque (@allianzparque)Maratona de reggaeton exigiu cuidados pós-usoUm agasalho com tamanho peso histórico precisa de cuidados especiais até em ambientes controlados. Mas o que fazer quando ele é posto à prova em condições adversas, como a dança, o suor e a chuva?A produção de Bad Bunny assinou um contrato rápido, pelo WhatsApp, para que as peças pudessem sair do escritório do Alambrado. No dia seguinte, elas retornaram para serem cuidadas, conforme conta.“Houve muita confiança no processo. No escritório, a temperatura é controlada, a gente usa luz especial, usa luvas para encostar na camisa, não tenho dúvidas de que eles tiveram muito cuidado. A camisa volta para mim no domingo, molhada de suor, de chuva. Voltou com a marca da celebração. Tinha risco? Tinha. Que bom que voltou na mesma condição que foi. O risco foi comprado no minuto zero”.Ele revela o processo de limpeza pelo qual a peça passou após o uso.“Fizemos o processo de dar leves banhos de sol na camisa, borrifando uma solução, fazendo esse processo para tirar odores, o que não está legal. Ela vai secando aos poucos. Dá trabalho. Uma máquina de vapor vai recompondo as fibras, de maneira cuidadosa”, explica. “É um projeto de vida. As camisas são como filhos, trato com cuidado, respeito. Elas carregam muita história”.Item de colecionador foi resultado de “rolê aleatório”Gabriel “Caco” de Souza, Julio Soares e Dan Moreira foram os responsáveis pela ponte entre a equipe de produção do artista e Cássio.Caco conheceu parte da equipe de Benito em um bar de São Paulo na última quinta-feira (19). Foi entre uma festa e outra que Linares pediu ajuda para encontrar uma peça como a de uma foto que havia salvo no celular.Ele pediu ajuda ao amigo Dan Moreira, produtor de moda, que chegou a Cássio e o Alambrado FC, por meio de uma lembrança recente de outro empréstimo. Era de Brandão o agasalho da seleção brasileira de 1994 que Hamilton usou no Grande Prêmio de São Paulo, em 2023.“Foi um trabalho em equipe, cada um jogou em uma posição. Se não fosse o Julio se aproximando, fazendo amizade falando espanhol, isso não teria acontecido, depois o Dan correndo atrás do Cássio. (…) No fim, tudo tem um contexto histórico. É a efervescência da cultura latina. Em relação ao Pelé, ao Brasil, todo o destaque que o Benito tem e a história que ele vem construindo. É uma grande história para contar”.Bad Bunny usa Havaianas e moletom do Brasil em segundo show no país