O Nubank (ROXO34) não passou imune ao mau humor que tomou conta do mercado diante dos temores de que a inteligência artificial possa provocar uma nova onda de disrupção no setor financeiro.Em dois dias, o papel caiu mais de 7% e, no acumulado do ano, recua cerca de 4%Em relatório, o Itaú BBA destacou que o roxinho está entre as ações financeiras com pior desempenho na América Latina em 2026, com queda próxima de 3%. Ainda assim, a avaliação é clara: não há fundamentos que justifiquem a correção recente.Os analistas afirmam que tanto os fatores micro quanto macroeconômicos caminham na direção correta, com expectativas elevadas para o balanço do quarto trimestre, que será divulgado na próxima quarta-feira.‘Os resultados devem ser excelentes, desde os KPIs até o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido)’, afirmam.Nubank perde ou ganha com IA?Para o BBA, as ações foram pressionadas por um receio global de que a crescente disponibilidade de inteligência artificial possa ‘disromper’ os atuais vencedores do setor financeiro, reduzindo sua vantagem competitiva — em outras palavras, que a IA desestabilize justamente quem já foi disruptor.O banco, porém, discorda dessa tese.‘Não estamos ignorando as mudanças que a IA pode trazer para o cenário financeiro, mas vemos o Nubank como o principal beneficiário, e não o contrário’, destacam os analistas.A lógica é direta: usar IA de forma eficiente exige cultura organizacional, capacidade de testar, aprender e escalar rapidamente. E isso depende menos da tecnologia em si e mais de quem sabe utilizá-la.‘Quanto mais dados existirem e mais fácil for trabalhar com eles, mais poderosas se tornam as ferramentas de IA. Simplesmente ter acesso à tecnologia não cria disrupção. O que importa é a profundidade e a velocidade com que ela é aplicada.’Na visão do BBA, fintechs com mentalidade tecnológica e espírito empreendedor tendem a continuar um passo à frente — independentemente de quão acessível a IA se torne.‘É assim que posicionamos o Nubank nessa discussão mais ampla sobre a disrupção causada pela IA. Portanto, somos compradores em momentos de baixa e reiteramos nossa recomendação de compra para as ações’, concluem.