A computação quântica não ameaça o Bitcoin de forma imediata, e neste texto você entenderá o porquê e como isso funciona. Afinal, este é um tema recorrente entre entusiastas de tecnologia e investidores de criptoativos, mas, antes de tudo, é importante definir o que é a computação quântica.Um computador hoje age como um explorador que tenta um caminho de cada vez em um labirinto: ele volta se errar e tenta o próximo até conseguir. Já um computador quântico seria como uma névoa que preenche todo o labirinto; ele “sente” todos os caminhos ao mesmo tempo e encontra a saída de forma quase instantânea.Isso só é possível graças aos Qubits. Enquanto um bit comum é apenas 0 ou 1, o Qubit pode ser 0, 1 ou uma combinação de ambos ao mesmo tempo, um fenômeno chamado sobreposição. Isso permite que um computador quântico processe, em segundos, uma quantidade de dados que levaria milhões de anos para ser resolvida por máquinas binárias, como são os computadores de hoje em dia.Essa velocidade de processamento de um computador quântico se conecta com o receio de muitas pessoas: a quebra da criptografia do sistema financeiro tradicional e também do Bitcoin, afinal, esse poder computacional poderia quebrar tudo que conhecemos hoje. Mas antes, é importante explicar o que é a criptografia. Basicamente ela funciona como um cadeado digital que tranca sua mensagem em um cofre, onde apenas quem possui a chave correta consegue abrir para ler o conteúdo. Sem essa chave, qualquer pessoa que interceptar o cofre verá apenas um amontoado de peças sem sentido e impossíveis de montar. É dessa forma que o sistema financeiro mantém sua segurança, utilizando a criptografia. Planos de defesaMas se a computação quântica pode quebrar a criptografia, porque isso não seria um risco para o Bitcoin e o mercado financeiro? Mesmo que isso represente um desafio, o risco é mitigado pelo fato de que ambos são sistemas adaptáveis, capazes de implementar novos algoritmos de defesa, conhecidos como criptografia pós-quântica, além de que, não é algo que irá acontecer da noite para o dia, uma vez que a previsão para a computação quântica, é entre 5 a 10 anos.A criptografia pós-quântica (PQC) é como uma nova geração para os “cadeados digitais”. Atualmente, a maioria das senhas utilizam criptografia que computadores comuns não conseguem resolver, mas que um computador quântico abriria com facilidade. A PQC propõe substituir esses “cadeados digitais” por outros, que são tão difíceis e “bagunçados” que nem mesmo a lógica quântica consegue quebrar. O Bitcoin também pode passar por melhorias em seu código para proteger os usuários, um processo que no futuro, seria algo relativamente simples para quem investe em cripto. Para o usuário final, o processo se resume a uma atualização de segurança, quem guarda seus bitcoins em carteiras próprias, precisará apenas transferir seus ativos para um novo endereço gerado. Já para quem utiliza corretoras, o processo será praticamente invisível: como a custódia dos ativos é responsabilidade da plataforma, a própria corretora realizará a migração, garantindo que os saldos dos clientes estejam protegidos sem que eles precisem executar qualquer ação manual.Para concluir, o uso da computação quântica no cotidiano não irá acontecer da noite para o dia, pois, como todo avanço tecnológico, ele acontece de forma gradual e inicialmente ele é utilizado em empresas para só depois, chegar ao usuário final. Existem estimativas de que vai demorar em torno de 5 a 10 anos para que seja visível serviços sendo utilizados no dia a dia que possuam elementos da computação quântica. Sobre a autoraVanessa Oliveira cursa gestão financeira e está no mercado de criptoativos há 5 anos, é analista técnica e fundamentalista. Já participou como palestrante nos principais eventos de criptomoedas. Hoje atua como estagiária na equipe de Research no Mercado Bitcoin.O post Computação quântica ameaça o Bitcoin? apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.