A Rússia elevou o tom neste sábado (28) contra os Estados Unidos e Israel após os ataques ao Irã, classificando a ofensiva como uma ação “irresponsável” que ameaça empurrar o Oriente Médio para uma escalada de grandes proporções.Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores em Moscou afirmou que a operação conduzida por forças de Estados Unidos e Israel representa um “ato premeditado e não provocado de agressão armada” contra um Estado soberano.Segundo o governo russo, a ofensiva aumenta o risco de uma crise humanitária, econômica e até radiológica na região.Os ataques tiveram como alvo estruturas estratégicas e a liderança do Irã, aprofundando um novo ciclo de tensão no Oriente Médio.O presidente Donald Trump afirmou que a operação buscou neutralizar ameaças à segurança americana e abrir caminho para que a população iraniana pressione por mudanças internas.Para Moscou, no entanto, a ação pode produzir o efeito contrário. A diplomacia russa advertiu que a escalada “está aproximando rapidamente a região de uma catástrofe” e pode estimular países do entorno a fortalecer seus próprios arsenais em resposta ao aumento da instabilidade.O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, também criticou duramente Washington.Em declaração publicada em inglês, ele afirmou que as negociações com Teerã teriam sido apenas uma “fachada” e questionou a capacidade dos Estados Unidos de sustentar sua posição no longo prazo, comparando a história relativamente recente do país com a longa tradição da civilização persa.Além das críticas, o governo russo pediu a interrupção imediata das operações militares e a retomada de negociações diplomáticas.Moscou classificou como “inaceitáveis” os bombardeios contra instalações nucleares sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica e afirmou estar disposta a atuar como mediadora para uma solução pacífica.No comunicado, a Rússia acusou Washington e Tel Aviv de utilizarem as preocupações com o programa nuclear iraniano como justificativa para objetivos mais amplos, incluindo a possibilidade de mudança de regime, e responsabilizou diretamente os dois países por qualquer agravamento do conflito no Oriente Médio.*Com informações da Reuters e Estadão Conteúdo