Prejuízo com enchente: quando o seguro indeniza (e quando não)

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Com o aumento de episódios de chuvas intensas e alagamentos, muitos consumidores descobrem apenas após o prejuízo que o seguro contratado não cobre danos causados por inundação. Embora essa proteção exista no mercado brasileiro, ela nem sempre faz parte do pacote básico e, em geral, exige contratação adicional.Isso porque eventos como enchentes, alagamentos, vendavais e deslizamentos geralmente dependem de contratação extra e podem ter limites e franquias (valor que o segurado deve pagar do próprio bolso ao acionar o seguro) específicas.Segundo a Susep (Superintendência de Seguros Privados), autarquia federal que regula e fiscaliza o mercado segurador no país, os principais seguros que costumam cobrir danos causados por enchentes, dependendo da cobertura contratada, são:automóvel;residencial;habitacional;rural;transportes.A Susep orienta que consumidores avaliem suas necessidades de proteção, busquem informações claras e comparem coberturas disponíveis, considerando os riscos mais relevantes para sua região.Leia mais: Tempestade destruiu seu carro ou queimou eletrodomésticos? Veja qual seguro cobreJá a CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) aconselha o consumidor a verificar de forma detalhada quais são os riscos efetivamente cobertos e quais estão expressamente excluídos no contrato de seguro (apólice).“É essencial compreender se a apólice inclui cobertura para alagamento, inundação, vendaval, desmoronamento, danos elétricos por sobrecarga decorrente de tempestades e, no caso de empresas, eventual cobertura para lucros cessantes”, diz a representante das seguradoras.Chuva causa estragos em Juiz de Fora (MG). (Foto: Reuters/Pilar Olivares)Fui atingido por enchente, o que o seguro cobre?O InfoMoney listou as principais informações sobre cada modalidade de seguro que costuma cobrir danos causados por enchentes. Confira a seguir.1. Seguro de automóvelO seguro compreensivo, também chamado de “seguro total”, cobre danos causados por colisão, incêndio, roubo, furto, além de eventos naturais como alagamentos provocados por água doce, incluindo subsolos, quedas de granizo e danos causados por árvores.Em situações de alagamento, é comum que o veículo sofra perda total devido à extensão dos danos. Quando o segurado conta com essa cobertura integral, ele tem direito a receber o valor completo do veículo, conforme a Tabela Fipe e as cláusulas previstas na apólice. Contudo, danos causados por água do mar ou em regiões costeiras normalmente não estão incluídos na cobertura.Para evitar a perda da cobertura em caso de alagamento e enchentes, é importante seguir alguns cuidados, como não forçar o veículo a atravessar a área alagada, pois isso pode resultar em danos significativos e colocar a segurança em risco. Leia também: Seguro do carro: o que encarece o preço e por que muda de um motorista para outro?2. Seguro residencialA cobertura básica, obrigatória para todo seguro residencial, inclui riscos como incêndio, queda de raio e explosão.As coberturas para inundação, alamento e danos por água estão na lista de coberturas adicionais. No ato de contratação do seguro, é exigido que o segurado opte por pelo menos uma cobertura adicional. No entanto, em muitos casos, a cobertura para alagamento e inundação não é escolhida por diversos motivos, o que resulta em sua baixa adoção. Leia mais: Seguro residencial exige nota fiscal para pagar indenização de eletrodomésticos?3. Seguro habitacionalQuem possui imóvel financiado pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) conta obrigatoriamente com seguro habitacional. Ele cobre, entre outras situações, danos físicos ao imóvel vindos de desmoronamento, ameaça de desabamento, vendavais, destelhamento e inundações decorrentes de chuvas.É um instrumento fundamental para proteger o patrimônio em caso de sinistros naturais, além de garantir a quitação do saldo devedor junto ao banco em situações graves.4. Seguro de transportesEste tipo de seguro oferece cobertura para danos ocorridos durante o transporte de bens, seja por vias terrestres, aquaviárias ou aéreas.Em geral, cobre prejuízos causados por fenômenos da natureza durante o trajeto, incluindo tempestades e inundações, garantindo segurança para quem comercializa mercadorias ou faz mudanças5. Seguro ruralO seguro rural contempla diversas coberturas que protegem o produtor agrícola e pecuário, seu patrimônio e produtos. É comum a inclusão de riscos como chuva excessiva, alagamentos, trombas d’água, ventos fortes e outros eventos naturais.É fundamental conferir as cláusulas para saber se as coberturas desejadas estão contempladas, já que as apólices podem ser do tipo all risks, que cobre tudo que não estiver excluído explicitamente.Quer saber mais sobre seguros? Inscreva-se na Segura Essa: a newsletter de Seguros do InfoMoneySem seguro, quem banca os estragos da chuva?Sem seguro residencial, não há indenização imediata. É preciso avaliar se houve falha de alguém que possa ser responsabilizado. Recuperar o prejuízo não é simples, mas em alguns casos é possível.Na maioria das vezes, o prejuízo fica com o proprietário, segundo especialistas ouvidos pelo Infomoney. Mas há situações em que a prefeitura ou até a construtora podem entrar em cena. Especialistas em Direito Civil explicam o que fazer.Não é incomum que danos decorrentes de chuvas intensas estejam associados a entupimento de bueiros, deficiência do sistema de drenagem, escoamento inadequado de águas pluviais ou queda de árvores localizadas em áreas públicas.Leia também: Sem seguro residencial, quem banca os estragos da chuva?Nesses casos, é preciso provar que o problema veio de omissão específica do poder público, como falta de manutenção, projeto ruim ou execução falha, e não só da chuva.Nessas situações, o morador deve reunir provas, como fotos, vídeos, registros da Defesa Civil e protocolos de reclamação, e pode buscar indenização administrativa ou judicialmente. A construtora também pode responder pelos estragos. Falhas de impermeabilização, drenagem mal executada e vícios estruturais podem gerar responsabilidade da construtora ou incorporadora, especialmente em imóveis mais novos.Leia também: Brasil soma R$ 28 bilhões em prejuízos com desastres naturais em 2025Enchentes deixam prejuízo bilionário no Brasil Os eventos climáticos no país quase dobraram em cinco anos. Entre 2015 e 2019, o país registrava em média 2.500 eventos climáticos por ano. De 2020 a 2024, o número subiu para cerca de 4.500 ocorrências anuais, segundo o estudo “Radar de Eventos Climáticos e Seguros do Brasil”, elaborado pela CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras).No Brasil, apenas 20% das residências possuem seguro residencial, e entre elas, menos de 0,14% incluem cobertura contra alagamentos e enchentes, que são opcionais e não obrigatórias, segundo levantamento feito pela FenSeg (Federação Nacional de Seguros Gerais).Enchentes no Brasil expõem falta de seguro contra catástrofesAs chuvas que atingiram Minas Gerais e São Paulo em fevereiro reacenderam um debate que há tempos é debatido no setor: a necessidade de estruturar um seguro específico para catástrofes naturais no Brasil.O tema foi colocado como prioridade estratégica no Plano de Regulação 2026 da Susep (Superintendência de Seguros Privados), autarquia federal que regula e fiscaliza o setor. A agenda busca estruturar produtos de seguros mais robustos, com foco na proteção contra catástrofes.Leia mais: Seguro catástrofe: entidades defendem modelo nacional após inundações em MG e SPEm resposta ao InfoMoney, a autarquia afirma que “eventos climáticos extremos têm ocorrido com maior frequência e impacto econômico, exigindo novas respostas de política pública e de mercado”.O debate, segundo a Susep, deve incluir formas de compartilhamento de riscos e incentivos à ampliação da cobertura “para apoiar a construção de um sistema que fortaleça a resiliência financeira do país de forma sustentável”.Ainda de acordo com o órgão federal, é objetivo da Susep reorganizar esse sistema a partir das melhores experiências e modelos.Para a CNseg, o Brasil precisa discutir com urgência a estruturação de um seguro específico para catástrofes naturais, já que o país vive “uma combinação preocupante” de eventos climáticos extremos ocorrendo com mais frequência e e intensidade somada a um nível ainda baixo de proteção securitária. Vale lembrar que o mercado estima que menos de 20% dos lares brasileiros têm seguro residencial, enquanto apenas 30% da frota conta com seguro automotivo.Grande parte das perdas continua recaindo diretamente sobre famílias, empresas e o orçamento público, acionado por meio de gastos emergenciais após desastres.“Um mecanismo estruturado de proteção pode reduzir essa pressão fiscal, acelerar a recomposição de serviços essenciais e apoiar a recuperação econômica e social das áreas atingidas, fortalecendo a resiliência do país”— diz a CNsegTem alguma dúvida sobre o tema? Envie para leitor.seguros@infomoney.com.br que buscamos um especialista para responder para você!The post Prejuízo com enchente: quando o seguro indeniza (e quando não) appeared first on InfoMoney.