Crescimento da Accor nas Américas ganha força com liderança do Brasil

Wait 5 sec.

A performance da Accor nas Américas em 2025 consolidou o continente como um dos vetores de crescimento da empresa, impulsionado pelo avanço da expansão do portfólio, sobretudo no Brasil, que é protagonista da operação – do luxo à hospedagem econômica, da cidade ao campo.A região das Américas encerrou 2025 com 569 hotéis em operação, somando 107.270 quartos sob 31 marcas. Desse total, 114 hotéis (32.709 quartos) pertencem ao segmento Luxury & Lifestyle, enquanto 455 hotéis (74.561 quartos) integram a divisão Premium, Midscale & Economy (PM&E). O desempenho operacional acompanhou a expansão. A região registrou alta de 7,4% no RevPAR na comparação com 2024. Na divisão PM&E, o número foi ainda mais expressivo: crescimento de 10,2% no RevPAR, puxado por dois pontos percentuais a mais de ocupação e uma diária média 9% mais alta.O RevPAR – sigla para revenue per available room ou receita por quarto disponível – mostra quanto de receita, em média, cada quarto disponível gerou, considerando tanto a ocupação quanto o preço. Em outras palavras, não importa apenas vender caro, nem apenas vender muito: o RevPAR combina as duas variáveis.Ao longo de 2025, a Accor abriu 23 hotéis PM&E nas Américas, o equivalente a 5.197 quartos (cerca de 5.300 na conta arredondada interna). Dessas, 10 aberturas ocorreram no Brasil. As outras 13 foram distribuídas pelo México, Estados Unidos, Argentina e Porto Rico. Em desenvolvimento, o recorte PM&E das Américas soma 101 hotéis em pipeline, com 12.138 quartos previstos para os próximos seis a sete anos. O plano é manter o ritmo de expansão observado em 2025, quando a Accor assinou 36 novos contratos na divisão PM&E da região. Aproximadamente 70% desses contratos são de franquia – um patamar que, segundo a companhia, “veio para ficar” como estratégia dominante em novos projetos, sobretudo em econômicos e midscale.Brasil: agro, lazer econômico e liderançaO Brasil é hoje o principal motor da Accor nas Américas. O país responde por mais de 60% da receita de hospedagem da região e concentra 322 hotéis em operação apenas na divisão PM&E. Além disso, lidera o mercado de viagens corporativas com larga vantagem: segundo a Associação Brasileira de Agência de Viagens Corporativas (Abracorp), a Accor detém aproximadamente 38% das vendas de reservas em agências de viagens corporativas.A expansão brasileira recente está apoiada em duas teses: agro e lazer. “Cidades do agro abriram uma grande via de desenvolvimento para nós. Sinop, Arcoverde, Primavera do Leste são cidades que nunca estiveram no mapa de expansão da Accor e que entraram no mapa. Da mesma forma, os hotéis de lazer econômicos – não resorts – como os projetos que estamos desenvolvendo em Maragogi, Olímpia e Porto de Galinhas”, disse Abel Castro, Chief Development Officer (CDO) da Accor para as Américas.Leia mais: Para o mercado de luxo, o Brasil está na moda – e Accor quer entrar na ondaNesse contexto, 2025 foi um ano-chave. Nas Américas, foram 23 hotéis e cerca de 5.300 quartos inaugurados em PM&E, além dos 36 contratos assinados. Uma parcela relevante desse movimento passa diretamente pelo Brasil, que ganhou 10 novas unidades na divisão e consolidou sua imagem de mercado “na moda” para o turismo internacional.“O Brasil está bombando. A média histórica de turistas estrangeiros que visitavam o Brasil era de 3 milhões. Em 2024, foram 6 milhões. Em 2025, foram quase 9 milhões. Existe um crescimento enorme no interesse pelo Brasil e, como indústria, temos que aproveitar isso”, afirma Diego Suarez, CFO da Accor.Luxo e branded residencesSe a espinha dorsal do crescimento na região são as franquias de PM&E, o segundo grande foco é a categoria de luxo e o lifestyle, com uma dose crescente de projetos de uso misto – hotel e residências juntos, modelo chamado de “branded residences”. O Faena São Paulo, previsto para 2029, promete ser um divisor de águas: será o primeiro projeto da marca no Brasil, em um terreno de 22 mil metros quadrados, muito próximo à Faria Lima, reunindo hotel, residências, centro de artes culturais, restaurantes e a experiência característica do universo Faena.O projeto segue o modelo de branded residence, visto como um vetor decisivo para viabilizar financeiramente projetos de alto padrão. “Quando você vai para cidades mais maduras – Miami, Nova York, Dubai – você vê a migração das marcas hoteleiras e outras marcas de luxo para o residencial. Você não mora mais em um endereço, mas sim naquela marca. Quando perguntam onde aquela pessoa mora, ela responde ‘No Faena South Beach’. O endereço fica secundário e o nome, o ‘branded’, é usado. Isso tem um valor intrínseco enorme no desenvolvimento imobiliário”, diz Castro.Segundo o executivo, essa lógica já deixou de ser exceção no topo da pirâmide: “Nos hotéis de luxo, 70% do desenvolvimento dos hotéis de luxo tem branded residence. Ou seja, o que era exceção hoje é a regra. E a explicação para isso é financeira. Quando você constrói um hotel, você só tem receita dali 3, 4 anos. No residencial, há fluxo de caixa desde o primeiro dia de venda. Isso muda totalmente a equação”, explica. Nas Américas, a Accor já opera mais de 100 hotéis de luxo e lifestyle, com 114 propriedades e 31 mil quartos em 14 países, e projeta uma expansão “ambiciosa” nessa frente.“Indústria abençoada”Diante de um universo de viajantes que volta a crescer – e tende a expandir ainda mais –, a Accor enxerga o setor como uma “indústria abençoada”, nas palavras do CEO, Thomaz Dubaere.Em 2019, o mundo contabilizava cerca de 1,4 bilhão de viajantes internacionais. Durante a pandemia, esse número despencou para 400 milhões. Em 2025, a marca chegou a 1,6 bilhão de viajantes internacionais e, nas projeções utilizadas pela companhia, pode avançar para algo em torno de 1,8 bilhão nos próximos anos.Nesse contexto o grupo francês reportou uma receita de 5,639 bilhões de euros em 2025, alta de 4,5% em comparação com 2024, e um crescimento de 4,2% no RevPAR global, impulsionado por mais demanda e diárias mais altas. O EBITDA atingiu 1,2 bilhão de euros, em moeda constante, avanço de 13% ano a ano. Ao final de dezembro, a Accor tinha 5.836 hotéis em operação (881.427 quartos) em 110 países, com 45 marcas no portfólio, e um pipeline de 1.527 hotéis (mais de 257 mil quartos), o que representa um potencial de crescimento de cerca de 27% sobre a base atual.The post Crescimento da Accor nas Américas ganha força com liderança do Brasil appeared first on InfoMoney.