Antes dos ataques dos Estados Unidos ao Irã neste sábado (28), o presidente Donald Trump recebeu briefings detalhados sobre os riscos e benefícios da operação.De acordo com um funcionário americano à Reuters, os relatórios apresentaram avaliações diretas sobre a possibilidade de grandes baixas americanas, mas também destacaram a oportunidade de uma mudança estratégica no Oriente Médio em favor dos interesses dos EUA.O Pentágono denominou a ofensiva de “Operação Fúria Épica”. Ela mergulhou a região em um conflito imprevisível, com ataques a alvos em todo o território iraniano e retaliações do Irã contra Israel e países árabes do Golfo. Uma fonte oficial descreveu a operação como de alto risco, mas de alto retorno.Trump reconheceu os perigos no início da operação, afirmando que “as vidas de corajosos heróis americanos podem ser perdidas”, mas reforçou que a ação é “uma missão nobre” voltada para o futuro. “Por 47 anos, o regime iraniano bradou ‘morte à América’ e travou uma campanha interminável de derramamento de sangue… Não vamos tolerar isso por mais tempo”, disse o presidente em vídeo.Nos dias anteriores, Trump recebeu briefings de autoridades, incluindo o diretor da CIA, John Ratcliffe; o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto; o secretário de Defesa Pete Hegseth; e o secretário de Estado Marco Rubio. O almirante Brad Cooper, comandante das forças americanas no Oriente Médio, também participou de discussões na Casa Branca.Uma segunda autoridade americana afirmou que a Casa Branca foi alertada sobre os riscos, incluindo ataques retaliatórios iranianos a bases americanas e ações de grupos armados apoiados pelo Irã no Iraque e na Síria. Mesmo com reforço militar, os sistemas de defesa aérea enviados tinham limitações, o que reforça a imprevisibilidade do conflito.Especialistas alertam que a oposição interna no Irã é fragmentada, tornando incerto o impacto de pressões externas sobre o regime, segundo Nicole Grajewski, da Carnegie Endowment for International Peace.Nas semanas que antecederam os ataques, Trump ordenou reforço militar significativo no Oriente Médio e delineou planos para atingir autoridades iranianas específicas. Entre os alvos estariam o líder supremo Aiatolá Ali Khamenei e o presidente Masoud Pezeshkian, embora os resultados não fossem claros.O presidente americano deixou claro que o objetivo é neutralizar a ameaça do Irã aos EUA e dar ao povo iraniano a oportunidade de derrubar seus governantes. “Vamos destruir seus mísseis e arrasar sua indústria militar… Vamos aniquilar sua marinha e impedir que grupos terroristas desestabilizem a região ou ataquem nossas forças”, disse Trump.Analistas observam que a operação representa uma aposta de alto risco, muito maior que incursões anteriores, como a tentativa de captura do presidente da Venezuela ou os bombardeios de instalações nucleares iranianas em junho.A Guarda Revolucionária do Irã prometeu retaliar todas as bases e interesses dos EUA na região até que “o inimigo seja decisivamente derrotado”. Especialistas como Daniel Shapiro, ex-embaixador dos EUA em Israel, alertam que, mesmo após os ataques, o Irã ainda possui capacidade de infligir danos significativos com mísseis balísticos, drones e operações cibernéticas.“O Irã possui muito mais mísseis balísticos capazes de atingir bases americanas do que os EUA possuem interceptores… algumas armas iranianas conseguirão passar. É uma grande aposta”, disse Shapiro.