Antes do ataque dos EUA ao Irã, o presidente Donald Trump recebeu informações que não apenas detalhavam o risco de grandes baixas americanas, mas também destacavam a possibilidade de uma mudança geracional no Oriente Médio em favor dos interesses de Washington, disse um funcionário dos Estados Unidos à Reuters.O lançamento do que o Pentágono chamou de “Operação Fúria Épica”, no sábado, mergulhou o Oriente Médio em um novo e imprevisível conflito. Militares dos EUA e de Israel bombardearam alvos em todo o Irã, desencadeando ataques de retaliação iranianos contra Israel e países árabes do Golfo.A fonte oficial, que falou sob condição de anonimato, afirmou que os responsáveis por apresentar os cenários ao presidente descreveram a operação como uma aposta de “alto risco e alto retorno”. O próprio Trump ecoou essa visão ao reconhecer os riscos logo no início da ofensiva, dizendo que “as vidas de corajosos heróis americanos podem ser perdidas”.“Mas não estamos fazendo isso para o presente, estamos fazendo isso para o futuro, e é uma missão nobre”, declarou Trump em vídeo, ao anunciar o início das principais operações de combate. “Por 47 anos, o regime iraniano bradou ‘morte à América’ e travou uma campanha interminável de derramamento de sangue e assassinatos em massa… Não vamos tolerar isso por mais tempo.”Os briefings da equipe de segurança nacional ajudam a explicar como o presidente decidiu seguir adiante com o que é, possivelmente, a operação militar mais arriscada dos EUA desde a invasão do Iraque, em 2003. Antes dos ataques, Trump foi informado por autoridades como o diretor da CIA, John Ratcliffe; o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto; o secretário de Estado, Marco Rubio; e o secretário de Defesa, Pete Hegseth.Na quinta-feira, o almirante Brad Cooper, responsável pelas forças americanas no Oriente Médio como chefe do Comando Central, viajou a Washington para participar das discussões na Sala de Situação da Casa Branca.Uma segunda autoridade americana informou que a Casa Branca foi alertada, antes da ofensiva, sobre uma série de riscos, incluindo ataques iranianos com mísseis contra várias bases dos EUA na região — com potencial de sobrecarregar os sistemas de defesa — e ofensivas de grupos armados apoiados por Teerã contra tropas americanas no Iraque e na Síria.Segundo essa fonte, mesmo com o grande reforço militar enviado às pressas à região, as defesas aéreas americanas têm limitações. Especialistas ouvidos pela agência alertam que o conflito em curso pode tomar rumos perigosos, e a primeira autoridade disse que o planejamento do Pentágono não parece garantir o desfecho de uma eventual guerra.Trump pediu publicamente que os iranianos derrubem o governo, mas esse é um objetivo difícil de concretizar, avalia Nicole Grajewski, da Carnegie Endowment for International Peace. “A oposição iraniana é bastante fragmentada. Não está claro o que a população está disposta a fazer em termos de revolta”, afirmou.Ambos os funcionários americanos pediram anonimato devido à sensibilidade das discussões internas. A Casa Branca não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. O Pentágono se recusou a se manifestar.Os objetivos de TrumpNas semanas que antecederam o ataque, Trump ordenou um grande reforço militar no Oriente Médio. A Reuters já havia noticiado que as Forças Armadas se preparavam para uma campanha sustentada contra o Irã, caso essa fosse a decisão do presidente, incluindo ataques dirigidos a autoridades específicas.Um oficial israelense afirmou que o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e o presidente Masoud Pezeshkian foram alvos dos bombardeios, embora o resultado ainda seja incerto.No sábado, Trump deixou claro que seus objetivos em relação ao Irã são amplos: acabar com o que considera uma ameaça direta aos Estados Unidos e dar aos iranianos a chance de derrubar seus governantes. Para isso, delineou planos para dizimar grande parte das Forças Armadas do país e impedir que Teerã desenvolva armas nucleares — algo que o Irã nega buscar.“Vamos destruir seus mísseis e arrasar sua indústria de mísseis… Vamos aniquilar sua Marinha”, disse. “Vamos garantir que os grupos terroristas da região não possam mais desestabilizar a região ou o mundo e atacar nossas forças.”A decisão mostra uma disposição crescente ao risco, maior do que quando Trump ordenou, no mês passado, que forças de operações especiais invadissem a Venezuela para capturar o presidente do país em uma operação controversa. A campanha atual também é mais arriscada do que os bombardeios americanos às instalações nucleares iranianas em junho.A Guarda Revolucionária do Irã ameaçou todas as bases e interesses dos EUA na região e afirmou que a retaliação continuará até que “o inimigo seja decisivamente derrotado”. Especialistas lembram que Teerã dispõe de múltiplas opções de resposta, incluindo mísseis, drones e operações de guerra cibernética.Daniel Shapiro, ex-alto funcionário do Pentágono para o Oriente Médio e ex-embaixador dos EUA em Israel, observou que, mesmo com os ataques de EUA e Israel, o Irã mantém capacidade para causar estragos. “O Irã possui muito mais mísseis balísticos capazes de atingir bases americanas do que os EUA possuem interceptores… algumas armas iranianas vão conseguir passar”, disse. “É uma grande aposta.”The post Antes de ataques ao Irã, Trump foi informado sobre “alto risco e alta recompensa” appeared first on InfoMoney.