Objetivo de ataques dos EUA é a mudança de regime, diz ex-embaixador do Brasil no Irã

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Os ataques realizados pelo Estados Unidos (EUA) e Israel contra o Irã na madrugada deste sábado (28) seriam menos motivados pela negociações sobre o programa nuclear do país pérsico do que pela busca por novo regime. A avaliação é de Eduardo Grandilone, ex-embaixador do Brasil no Irã e atual vice-presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior.“O objetivo é realmente mudar o regime e, para fazer isso, é necessário destruir um aparato complexo no Irã”, afirmou em entrevista ao InfoMoney. Leia tambémEUA e Israel lançam ataque conjunto contra o IrãTrump promete devastar aparato militar iraniano e encerrar programa nuclear; Teerã anuncia que prepara resposta e eleva temor de escalada no Oriente MédioApenas dois dias atrás, o chanceler de Omã, Badr Albusaidi, afirmou no X que as negociações entre os EUA e o Irã apresentaram progressos significativos. Agora, o diplomata estaria decepcionado com os ataques, que dificultariam o prosseguimento das conversas neste momento, como mencionou Grandilone. Isso evidenciaria que a busca real seria pela troca de regime e não pela acordo sobre questões nucleares.Ao contrário do realizado na Venezuela, uma troca de comando que seja mais colaborativa com os Estados Unidos pode ser mais difícil de alcançar nesse momento. O diplomata avalia que a ausência de oposição organizada é um dos principais obstáculos para troca de comando. “Não existe uma oposição organizada, como há no caso da Venezuela. Não há uma oposição unida e institucionalizada. Não há a mesma noção de quem assumiria o poder”, diz. A revolta da população, como sugerida pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em mensagem veiculada mais cedo neste sábado tampouco seria simples. “Há atuação de diversos grupos no Irã, além das próprias forças do governo, do aparato de segurança, outros movimentos pro regime iraniano, tudo isso sem um líder de uma oposição”, afirma. Considerando o contexto, ainda que o governo fosse derrubado, haveria dificuldade extrema de reconstrução tanto no caráter institucional quanto do próprio país perante sua população. Sobre a potencial ampliação do conflito com envolvimento com outros países da região, o embaixador cita a reação da Arabia Saudita, que condenou os ataques contra sua capital, Riad. Grandilone também relembrou quando o Catar também se posicionou após ser alvo de ataques do Irã em base americana em seu território. “O que está se vendo agora é um protesto generalizado dos países do Golfo que estão sendo atingidos”, diz. O embaixador afirma que, uma vez se sentindo acuado perante os vizinhos da região e a depender da natureza de ataques dos EUA, o Irã poderia agir de forma “desesperada”, com atitudes como saída do Tratado sobre a Não-Proliferação de Armas Nucleares ou até mesmo o fechamento do Estreito de Ormuz. “Acho menos provável o fechamento. É uma atitude meio suicida porque isso não interessa ao próprio Irã, que também utiliza esse canal como transporte do próprio petróleo”, afirma. The post Objetivo de ataques dos EUA é a mudança de regime, diz ex-embaixador do Brasil no Irã appeared first on InfoMoney.