O impacto imediato de um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, seguido de uma resposta iraniana, seria a continuidade da alta do preço do petróleo.Para a Petrobras (PETR4) e as exportações brasileiras de petróleo, no entanto, o efeito é positivo, avalia o sócio estrategista da Equador Investimentos, Eduardo Velho. O risco, segundo ele, é o aumento da pressão para reajustes no preço doméstico da gasolina.“Nesse cenário, o governo brasileiro e a Petrobras não fariam nenhum reajuste precipitado, já que a decisão dependerá de uma média móvel superior a 30 dias, do nível dos estoques, da taxa de câmbio e, sobretudo, da duração da intervenção militar dos EUA”, disse Velho em entrevista neste sábado.“A intensidade da alta do petróleo deve se acentuar na medida em que a produção é restringida no estreito de Ormuz”, acrescentou. “Se a intervenção militar for rápida, o preço pode retornar aos níveis anteriores, mas ainda assim é um fator negativo para a inflação global e para os importadores de petróleo.”Ele ressalta que o aumento do preço do petróleo deve ocorrer em um ritmo menor do que em períodos passados, quando o consumo dependia mais do trânsito pelo estreito de Ormuz. “Um preço acima de US$ 80 por barril indicaria que o conflito está se prolongando, elevando o risco para a inflação mundial”, explicou.Sobre a inflação nos EUA, Velho afirma que a continuidade do conflito aumentaria a probabilidade de manutenção da taxa de juros na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano por mais tempo.Nesse contexto de aversão ao risco, ele aponta que pode haver um viés de alta para o ouro e outras commodities metálicas, um movimento que se soma à desaceleração estrutural da demanda por ativos dolarizados desde 2024.Na sexta-feira (27), o petróleo WTI para abril, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), fechou em alta de 2,77% (US$ 1,81), a US$ 67,02 por barril. O Brent para maio, negociado na Intercontinental Exchange (ICE) de Londres, avançou 2,86% (US$ 2,03), a US$ 72,87 por barril. Na semana, WTI e Brent registraram ganhos de 0,81% e 2,2%, respectivamente.EUA e Israel x IrãOs Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã na manhã deste sábado, aumentando a tensão no Oriente Médio. A ofensiva ocorre após semanas de ameaças do presidente Donald Trump e tem como objetivo neutralizar o que os dois países classificam como uma ameaça existencial do regime iraniano.A imprensa iraniana relatou ataques em todo o território, enquanto Israel afirmou ter atingido dezenas de alvos militares. A capital Teerã registrou pelo menos três explosões, incluindo uma próxima à residência do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Segundo autoridades israelenses, a primeira onda de ataques buscou atingir lideranças estratégicas do país.O próprio Donald Trump afirmou que a operação visa defender os Estados Unidos e seus aliados de ameaças iminentes, enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, qualificou a ofensiva como uma ação conjunta capaz de criar condições para que o povo iraniano “assuma seu próprio destino”.Em retaliação, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e instalações militares americanas no Bahrein, Kuwait e Catar. Explosões foram ouvidas em várias regiões do Golfo, enquanto hospitais em Teerã entraram em alerta máximo.Israel confirmou que está interceptando ameaças aéreas, e o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã declarou ter iniciado uma “resposta decisiva” aos ataques.