O ataque dos Estados Unidos e de Israel lançado contra o Irã neste sábado (28) provocou fortes reações internacionais, que oscilam entre o apoio e a desaprovação, com grande preocupação diante do risco de uma escalada regional.BrasilO governo brasileiro condenou e expressou “grave preocupação” com os ataques lançados contra o Irã.“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, declarou o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado.IrãO Ministério das Relações Exteriores do Irã prometeu que seu país “responderá com firmeza” aos ataques americanos e israelenses.O chanceler Abbas Araqchi exigiu que “a comunidade internacional, especialmente o Conselho de Segurança das Nações Unidas (…), exija que os criminosos prestem contas”.RússiaA Rússia denunciou os ataques contra o Irã como uma “aventura perigosa” que ameaça o Oriente Médio com uma “catástrofe”. Segundo o seu Ministério das Relações Exteriores, a ação busca “destruir” o governo iraniano “que tem se negado a se submeter ao ditado da força e do hegemonismo”.ONUO secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou “a escalada” da violência e pediu “o cessar imediato das hostilidades”.Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes UnidosO emir do Catar, Tamim bin Hamad al Thani, e o dirigente de fato da Arábia Saudita, o príncipe herdeiro Mohamed bin Salman, pediram “um retorno à mesa de diálogo para preservar a segurança regional”, informou o gabinete do emir do Catar em um comunicado.O príncipe herdeiro saudita e o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed, condenaram, por sua vez, os “ataques iranianos flagrantes contra os Emirados Árabes Unidos e outros países irmãos”, noticiou a agência emiradense WAM.OmãO chanceler Badr Albusaidi, que atuou como mediador entre Washington e Teerã, disse estar “consternado” porque “as negociações ativas e sérias foram novamente minadas”.“Insto os Estados Unidos a não se deixarem arrastar ainda mais. Esta não é a sua guerra”, acrescentou.Autoridade Palestina“O Estado da Palestina condena firmemente os ataques iranianos contra vários países árabes”, indicou em um comunicado divulgado pela agência oficial palestina Wafa.LíbanoO Líbano não aceitará ser “arrastado” para o conflito com o Irã, disse o seu primeiro-ministro, enquanto as autoridades temem o envolvimento do Hezbollah pró-iraniano.“Reitero que não aceitaremos que ninguém arraste o país para aventuras que ameacem sua segurança e sua unidade”, declarou Nawaf Salam na rede social X.ChinaA China pediu um “cessar imediato das ações militares” e urgiu “que se evitem futuras escaladas das tensões”, encorajando “a retomada do diálogo e das negociações para manter a paz e a estabilidade no Oriente Médio”, declarou o ministério das Relações Exteriores chinês.“A soberania nacional, a segurança e a integridade territorial do Irã devem ser respeitadas”, acrescentou a pasta.Índia“Fazemos um apelo a todas as partes a agirem com moderação, a evitarem uma escalada e a priorizarem a segurança dos civis”, declarou a diplomacia indiana.TurquiaA Turquia pediu, neste sábado, que “todas as partes” deem um fim à espiral de violência, que “põe em risco o futuro da nossa região”, segundo um comunicado da Chancelaria turca.União EuropeiaEm uma declaração conjunta da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, ambos os dirigentes pediram “a máxima moderação” a todas as partes e a garantia da “segurança nuclear”.FrançaO presidente Emmanuel Macron advertiu que a escalada em torno do Irã é “perigosa para todos” e “deve cessar”. Também pediu uma “reunião urgente” do Conselho de Segurança da ONU.Reino UnidoO governo britânico instou evitar que a situação “degenere em um conflito regional mais amplo”.AlemanhaO governo alemão defende uma “retomada dos esforços para encontrar uma solução negociada”, declarou o chefe do governo, Friedrich Merz, em um comunicado.EspanhaO presidente do governo, Pedro Sánchez, expressou seu repúdio à “ação militar unilateral de EUA e Israel, que representa uma escalada e contribui para uma ordem internacional mais incerta e hostil”, mas também “às ações do regime iraniano”.ArgentinaO governo argentino apoiou neste sábado, por meio de um comunicado do Ministério das Relações Exteriores, as ações militares contra o Irã.“A República Argentina confia em que as medidas adotadas contribuam para restabelecer as condições de estabilidade na região, fortalecer o regime internacional de não proliferação nuclear e consolidar um marco de paz e segurança duradouras”, diz o texto.Colômbia“Acredito que o presidente Trump se equivocou hoje”, reagiu o presidente colombiano, Gustavo Petro.“A ordem mundial não pode perecer porque será a barbárie”, escreveu no X.NoruegaO chanceler norueguês disse que o ataque apresentado por Israel como “preventivo” não se enquadra no direito internacional porque “um ataque preventivo pressupõe a existência de uma ameaça iminente”.AustráliaO primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, manifestou seu apoio à ação americana. “Há muito tempo se reconhece que o programa nuclear iraniano constitui uma ameaça à paz e à segurança mundiais”, escreveu no X.Canadá“O Canadá apoia as medidas adotadas pelos Estados Unidos para impedir que o Irã obtenha uma bomba nuclear e para evitar que seu regime siga ameaçando a paz e a segurança internacionais”, assinalou, em um comunicado, o primeiro-ministro, Mark Carney.CubaO presidente Miguel Díaz-Canel tachou os ataques como “uma violação flagrante do Direito Internacional e da Carta da ONU” e pediu à comunidade internacional a “agir de imediato” para detê-los.UcrâniaO presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, elogiou, neste sábado, a “determinação” dos Estados Unidos após o início dos ataques contra o Irã, considerando que davam uma “oportunidade” ao povo iraniano para “se desfazer de um regime terrorista”.África do SulOs bombardeios dos Estados Unidos e de Israel constituem “violações do direito internacional”, afirmou o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, que pediu moderação e diálogo.União AfricanaA União Africana (UA) fez um apelo à “moderação, a uma urgente desescalada e a um diálogo contínuo”.“Qualquer nova escalada corre o risco de agravar a instabilidade mundial, com graves consequências para os mercados de energia, a segurança alimentar e a resiliência econômica, em particular na África”, advertiu o presidente da Comissão da UA, Mahamud Ali Yusuf.MarrocosO Marrocos condena com “a maior firmeza” os bombardeios iranianos “abjetos” contra “países árabes irmãos”, como Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait e Catar, indicou a Chancelaria em comunicado.*AFP