A ministra da Igualdade Racial do Brasil, Anielle Franco (PT), disse nesta quarta-feira (25) que a condenação dos irmãos Brazão é uma resposta do Supremo Tribunal Federal (STF) para a “parcela da sociedade que debochou” da morte de Marielle Franco e Anderson Gomes.A família da vereadora assassinada em 2018 participou de uma coletiva de imprensa logo após a condenação dos mandantes do crime. O pai e a mãe de Marielle precisaram ser atendidos pela equipe médica durante o julgamento por conta de picos de pressão.O pai, Antônio Francisco Silva, disse logo no início da coletiva que não participaria por não estar se sentindo muito bem, mas não deixou de agradecer à imprensa. “Quero agradecer a vocês por toda a cobertura que vocês fizeram nesses quase oito anos de angústia. Hoje chegamos a uma decisão final e vocês também fazem parte disso”, falou aos jornalistas.Já a mãe, Marinete da Silva, afirmou que a decisão marca um dia histórico. “Hoje tivemos a resposta, é um alívio porque a pergunta que ecoava no mundo ‘quem mandou matar Marielle?’ teve uma justiça digna”, disse Marinete que finalizou também agradecendo a cobertura persistente da imprensa.A filha de Marielle, Luyara Franco, enfatizou que agora os eleitores de Marielle finalmente tiveram uma resposta. “Nos dá minimamente um alívio mas a gente sabe que a justiça é muito maior que isso, passa pela indenização, reparação e a não repetição”.Ela completou sua fala relembrando os eleitores de Marielle. “Ontem completaram-se 94 anos que as mulheres podem votar e ser votadas, então hoje é, a cima de tudo, uma resposta aos e 6.502 eleitores da minha mãe. Nós vamos seguir na luta e com a coragem que ela [Marielle] e o Anderson me ensinaram”.Mônica Benício, viúva de Marielle Franco, disse que “o STF hoje quebrou um ciclo de punitivismo seletivo” quando se referiu a importância da reparação da democracia por meio da condenação dos assassinos de Marielle.Anielle Franco e a violência políticaAnielle Franco fez questão de falar sobre sobre as pessoas que trataram a repercussão da morte de Marielle como algo insignificante. “Quero tirar do meu peito uma fala que ecoa dentro de mim há oito anos. Isso hoje também é um recado para uma parcela da sociedade que debochou da morte da minha irmã. Uma parcela da sociedade que todo ano eleitoral traz a minha irmã como um elemento descartável, apenas mais uma, ou, como falavam, um ‘mi mi mi’ sobre Marielle Franco”, destacou a ministra.A irmã de Marielle ainda fala sobre a “violência política de gênero e raça que existe no Brasil” e que “precisa ser parada”. “Todas as pessoas que debocharam da morte da minha irmã antes de pensarem sobre a índole, o caráter e a memória de Marielle, vão ter que lidar com os fatos. Os fatos são estes que vocês viram aqui hoje”, diz ao se referir sobre a condenação dos irmãos Brazão.Ela também fala sobre a importância e o orgulho em compor um governo que preza pela democracia. “Honra em fazer parte de um governo que traz de volta uma democracia fortalecida. Talvez se não fosse por isso não tivéssemos chegado aqui”, destaca Anielle.A ministra finalizou sua fala reforçando a necessidade de acabar com a violência política. “A violência política de gênero e raça precisa ser aniquilada e exterminada deste país para que outras mulheres possam, não somente ocupar os mesmo espaços, mas permanecerem vivas”, encerrou.Condenação dos irmãos BrazãoPor unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, nesta quarta-feira (25), os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão a 76 anos e 3 meses de prisão para cada um e 200 dias-multa – cada dia são dois salários mínimos -, por serem os mandantes dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em março de 2018, no Rio de Janeiro (RJ). Eles foram condenados pelos crimes de duplo homicídio qualificado, homicídio qualificado tentado (contra a assessora Fernanda Chaves, que sobreviveu) e organização criminosa armada.O relator Alexandre de Moraes foi o primeiro a manifestar seu voto, acompanhado pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. Além dos irmãos Brazão, os magistrados votaram para condenar a 56 anos de prisão o ex-policial militar Ronald Paulo Alves Pereira pelos crimes de duplo homicídio qualificado e homicídio qualificado tentado, e o ex-assessor do TCE Robson Calixto Fonseca, a 9 anos de prisão e 200 dias-multa pelo crime de participação em organização criminosa armada.A única diferença entre os votos dos ministros e a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) foi em relação a Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, ex-chefe da Polícia Civil do RJ. Eles absolveram o ex-delegado pela participação nos assassinatos, mas votaram para condená-lo a 18 anos de prisão e 360 dias-multa pelos crimes de obstrução à Justiça e corrupção passiva. Leia também STF condena irmãos Brazão a 76 anos de prisão por mandarem matar Marielle 'Não há justiça maior que possa ser feita', diz Anielle antes de julgamento no STF Caso Marielle: julgamento de supostos mandantes começa nesta terça-feira