O cenário político em Brasília voltou a se aquecer com a decisão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS de quebrar o sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A medida, aprovada quinta-feira (26) após uma reunião marcada por tumulto e trocas de acusações entre governo e oposição, foi mais um passo da oposição para minar a candidatura do pai de Lulinha, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição.Em busca esclarecer se o filho mais velho de Lula teria sido beneficiário de esquemas suspeitos de fraude ou de desvios de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social, parlamentares de direita aproveitam que Lulinha teve seu nome ligado a escândalos e até a fake news, quando o termo ainda não era sequer popularizado, para tirar pontos porcentuais valiosos em intenções de voto para Lula utilizando a CPMI como instrumento político-eleitoral. Quem é Fábio Luís Primogênito do presidente com a ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em 2017, Lulinha é formado em Biologia e atualmente reside na Espanha. Entre os filhos do petista, é o que sempre teve o nome mais exposto em questões que cruzam política e negócios. Sua trajetória empresarial ganhou holofotes com a Gamecorp, ainda no primeiro mandato de Lula (2003-2006). De monitor do Zoológico de São Paulo, Lulinha foi alçado a sócio da empresa de entretenimento que recebeu aportes milionários em contratos com gigantes da telefonia, TV e internet.Durante a da Operação Lava Jato, ele foi alvo de investigações sobre possíveis desvios, mas as apurações não foram comprovadas. Em mais uma polêmica, ele enfrentou um embate com a Receita Federal, que cobrou cerca de R$ 10 milhões por suposta sonegação fiscal. O caso envolve repasses de R$ 132 milhões do grupo Oi/Telemar para suas empresas, entre elas a Gamecorp, entre 2004 e 2016. Embora o Fisco aponte falta de comprovação dos serviços e ocultação de rendimentos, na esfera penal o caso foi arquivado. Ao longo dos anos, Fábio Luís consolidou uma rede de contatos que o colocou frequentemente no centro do debate sobre tráfico de influência entre os setores público e privado. Conexão com o INSS O motivo que levou o CPMI a autorizar a quebra de sigilo é oriundo de investigações da Polícia Federal. Mensagens obtidas com um ex-sócio de Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, peça-chave no escândalo de fraudes contra aposentados da Previdência, sugerem que Lulinha seria sócio do lobista em projetos estratégicos. O relatório da PF levanta a suspeita de que o empresário recebia repasses financeiros ligados a fraudes no órgão, incluindo a menção a uma suposta “mesada”. Em recente entrevista ao UOL, o presidente Lula defendeu as investigações, independente do grau de parentesco com ele. Fake News Em 2013, Lulinha e foi alvo de uma intensa campanha de desinformação que o apontava como dono de propriedades rurais e dono da JBS, maior empresa de proteína animal do mundo. Os boatos que circularam foram formalmente desmentidos pelos executivos da empresa, que tem capital aberto na Bolsa de Nova York, ou seja, se tratava de fake news.