Rivalidade? OpenAI vai intervir no embate entre Anthropic e Pentágono

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O CEO da OpenAI, Sam Altman, decidiu intervir no embate entre a Anthropic e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos sobre o uso de inteligência artificial em operações militares. Em comunicado interno enviado a funcionários na noite de quinta-feira (26), o executivo afirmou que a empresa negocia um acordo com o Pentágono que permita o uso de seus modelos em ambientes sensíveis, mas sem abrir mão de princípios inegociáveis.Segundo ele, a OpenAI busca chegar a um contrato que autorize a aplicação da IA “para todos os usos legais”, com exceção de casos como vigilância em massa e armas letais totalmente autônomas. Até o momento, nenhum acordo foi formalizado e as negociações ainda podem fracassar.No memorando, visto pelo jornal Wall Street Journal, Altman apoiou a posição da Anthropic ao impor limites éticos para usos militares, mas também reconheceu a preocupação do governo sobre o controle de tecnologias sensíveis. Ele segue defendendo que decisões de alto risco continuem sob supervisão humana, sem automatizações.Para tentar equilibrar os interesses opostos do Pentágono e da Anthropic, a OpenAI propõe a adoção de medidas técnicas, como restringir a execução dos modelos a ambientes de nuvem controlados, evitando implementações em usos militares diretos. A desenvolvedora também quer disponibilizar equipes especializadas para trabalhar em parceria com o governo e garantir que a tecnologia seja utilizada dentro de parâmetros definidos. A expectativa de Altman é que uma solução negociada possa servir de referência para todo o setor no que diz respeito ao uso de IA em operações militares.Pentágono deu até o final da tarde desta sexta-feira para que Anthropic aceite os termos (Imagem: Keith J Finks/Shutterstock)Pentágono x AnthropicA movimentação ocorre enquanto o Pentágono pressiona a Anthropic a flexibilizar seus limites de segurança. O Departamento de Defesa quer que a desenvolvedora autorize o uso para “todos os fins lícitos”. Do outro lado, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, já afirmou publicamente que não permitirá que o Claude seja empregado em armas totalmente autônomas ou em sistemas de vigilância doméstica em larga escala. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, deu até o fim da tarde desta sexta-feira (27) para que a empresa decida se vai aceitar flexibilizar suas regras ou não. Caso não aceite, a Anthropic deve perder o contrato com o governo dos Estados Unidos. Em um caso mais extremo, o governo pode intervir na atuação da companhia em nome da segurança nacional. O Olhar Digital deu os detalhes da disputa neste link.Parlamentares também entraram na discussão. Líderes republicanos e democratas das comissões de Serviços Armados e de Orçamento da Defesa enviaram cartas às partes envolvidas pedindo diálogo e sugerindo a extensão do prazo.Altman avaliou que o impasse não se resume ao tipo de aplicação da tecnologia, mas ao controle sobre ela. Em sua mensagem interna, ele afirmou que, embora empresas privadas possam ter influência relevante, não devem se sobrepor ao governo eleito em decisões de segurança nacional – reforçando, mais uma vez, os limites éticos da tecnologia.Enquanto isso, Pentágono segue firme na parceria com a xAI (Imagem: Ahyan Stock Studios/Shutterstock)xAI, Grok e o debate sobre segurançaEnquanto a Anthropic enfrenta resistência por manter restrições, o Pentágono avançou na adoção do Grok, chatbot desenvolvido pela xAI, para uso em ambientes sensíveis. A decisão ocorreu apesar de alertas internos de diferentes agências federais sobre possíveis fragilidades de segurança e confiabilidade do modelo.Funcionários da Administração de Serviços Gerais (GSA) e outros órgãos manifestaram preocupação com a suscetibilidade do Grok à manipulação por dados tendenciosos ou imprecisos, além de episódios anteriores envolvendo geração de imagens sexualizadas. Relatórios internos também apontaram riscos relacionados à rastreabilidade de dados de treinamento e à robustez dos testes de segurança.Mesmo assim, o Departamento de Defesa demonstrou entusiasmo com a incorporação da xAI a projetos sensíveis e indicou que pretende integrar o Grok à sua plataforma oficial de IA. O movimento foi interpretado por analistas como parte de um ambiente cada vez mais politizado, no qual as posições públicas das empresas sobre segurança e regulação influenciam decisões contratuais.O post Rivalidade? OpenAI vai intervir no embate entre Anthropic e Pentágono apareceu primeiro em Olhar Digital.