Ibovespa: Setor imobiliário dispara e analista vê mais altas pela frente; veja os destaques do mês

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O mês de fevereiro vai embora com o Ibovespa renovando recoredes. No período o índice acumula alta de 4%, enquanto o dólar caiu 2,5%.A alta foi, novamente, sustentada pelo fluxo de estrangeiros na bolsa. Até 25 de fevereiro, investidores estrangeiros acumularam saldo líquido de R$ 41,73 bilhões, já superior ao fluxo de todo o ano anterior.Mais reveladora que a magnitude é a participação: 61% do volume negociado na Bolsa teve origem internacional, a maior fatia da série recente, segundo dados da Elos Ayta.Entram no cálculo também o alívio das tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a Suprema Corte ter derrubado as tarifas. O Brasil foi apontado como um dos maiores vencedores do movimento.Quem subiu e quem caiu?Entre os papéis, o destaque ficou para as construtoras. Tanto MRV (MRVE3), que subiu 26%, quanto Direcional, com alta de 17%, ficaram entre as maiores altas do mês.Em Giro do Mercado Especial, o analista da Empiricus, Caio Araújo, destacou especialmente Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3) já acumulavam retornos bastante expressivos nos anos anteriores, sustentados por desempenho operacional sólido e boa entrega de dividendos.Ele diz que, se olharmos a “foto” de janeiro, por exemplo, a Direcional chegou a apresentar desempenho bem abaixo do Ibovespa no período. Ou seja, enquanto a Bolsa avançava de forma mais ampla, essas ações passaram por um ajuste de múltiplos.“Quando os papéis voltaram a níveis considerados mais adequados do ponto de vista de valuation, o investidor retomou o interesse”.MRV, alívio de shortJá a MRV, empresa que sofre com pressão na bolsa há alguns anos, conseguiu respirar. Araújo recorda que o nível de short interest (investidores que apostam contra o papel) foi alto e ainda segue elevado em comparação com outras empresas do setor.“Em um ambiente de euforia no mercado, é natural observar redução dessas posições vendidas, o que pode impulsionar as ações. Esse é um fator mais técnico”.Além disso, a companhia iniciou movimento de recuperação em meio a uma alavancagem mais elevada e a impactos negativos relacionados à operação nos Estados Unidos, que afetaram o balanço.Hoje, nos cálculos dos analistas, a ação negocia a múltiplos mais descontados — abaixo de 0,9 vez preço/valor patrimonial — e está mais descontada do que seus pares.Na parte operacional, ele recorda que há dois pontos importantes dentro do programa Minha Casa Minha Vida.ritmo de vendas no primeiro trimestre, que apresenta sinais positivos;expectativa de revisão das faixas de renda e dos tetos de preço dentro do programa, tema que vem ganhando força e pode melhorar ainda mais a dinâmica do setor;Para fevereiro e março, há três fatores que o investidor precisa olhar de perto. São eles:Revisão das faixas do Minha Casa Minha VidaContinuidade do bom ritmo de vendasAvanço das discussões sobre o possível fim da escala 6×1“Este último ponto é um risco relevante. A construção civil já enfrenta escassez de mão de obra, e qualquer mudança na jornada pode pressionar custos”, completa.No geral, o analista diz que as expectativas são mais positivas para os resultados, ainda há espaço para otimismo com as ações do setor de construção civil.“Fevereiro foi um mês forte. Não é possível afirmar se o ritmo continuará na mesma intensidade, mas o cenário segue construtivo”.Axia e Vivo também são destaqueNo caso da Vivo (VIVT3), o resultado mostrou crescimento relevante no segmento móvel, segundo o analista Ruy Hungria, da Empiricus.“Embora o pré-pago esteja encolhendo, há uma migração consistente para o pós-pago — modalidade que apresenta menor churn (cancelamento) e melhor qualidade de receita”, dizEle lembra que o segmento de fibra também segue crescendo perto de 10%, com margens atrativas.Além disso, uma vertical que há alguns anos recebia pouca atenção do mercado — o segmento B2B — vem ganhando relevância. Serviços como cibersegurança e cloud para grandes empresas têm apresentado crescimento consistente.Na Axia (AXIA3), antiga Eletrobras, o destaque foi a entrada no segmento do Novo Mercado, marcado por maior governança da B3.“Principalmente o investidor estrangeiro tende a se beneficiar desse novo enquadramento. Ao migrar para o Novo Mercado, a empresa oferece salvaguardas institucionais mais robustas, reduzindo a necessidade de monitoramento constante por parte do investidor. Isso traz conforto, especialmente para quem está fora do país”, diz.Veja as maiores altas do mês:AçãoCódigoAltaMRVMRVE326%SuzanoSUZB318%DirecionalDIRR317%Vivo VIVT316%AxiaAXIA315%Raízen lidera quedasDa ponta negativa, a Raízen lidera as quedas. A companhia negocia um possível aporte de capital dos seus controladores.“O principal fator de movimentação neste mês foi o resultado. Não é novidade que a Raízen (RAIZ4) vem enfrentando problemas operacionais. Parte deles, inclusive, foge ao controle direto da companhia, como as fraudes relacionadas ao imposto sobre combustíveis”, destaca o analista Hungria, da Empiricus.No ano passado, houve a operação Carbono Oculto, que buscou justamente combater esse tipo de irregularidade. Outras empresas do setor também foram impactadas, como a Ultrapar (UGPA3), dona da Ipiranga, e a Vibra (VBBR3), responsável pela bandeira BR.“Esse é um dos vetores de pressão. Mas há também questões internas, como perda de eficiência operacional e, principalmente, o aumento do endividamento. A companhia entrou em uma espiral de alavancagem que foi se agravando ao longo do tempo”, diz.AçãoCódigoQuedaRaízenRAIZ439%CognaCOGN323%CSNCSNA315%MinervaBEEF315%