Nos últimos anos, o petróleo tem sido central no debate macro, principalmente por afetar diretamente a inflação dos combustíveis e, não por acaso, por ser fator de preocupação nas decisões políticas.A cotação do petróleo WTI gira em torno de US$ 65 por barril, enquanto a curva futura projeta um declínio gradual nos próximos anos, chegando a algo próximo de US$ 57–58 no horizonte mais longo.O gráfico da curva indica que estamos em backwardation, mesmo com toda a tensão geopolítica no radar.Backwardation, em essência, é o prêmio de escassez no curto prazo: o mercado paga mais pelo barril hoje do que pelo barril de amanhã.Esse fenômeno normalmente reflete oferta apertada, risco geopolítico latente ou estoques abaixo da média. Embora os três fatores estejam presentes, essa é a estrutura típica de quem encara incerteza imediata.A principal fonte de incerteza são os conflitos no Oriente Médio, mas há uma mensagem adicional embutida na inclinação negativa da curva: o mercado não acredita que essa tensão vá persistir.A partir de 2027–2028, os contratos começam a precificar um ambiente mais confortável, com expansão marginal da oferta e possivelmente crescimento global mais moderado. Em outras palavras, o prêmio de curto prazo não tende a se tornar estrutural.Essa configuração gera efeitos práticos relevantes:Carrego positivo para posições de curto prazo: em backwardation, rolar posição tende a gerar ganho implícito, ao contrário do contango. Isso sustenta estratégias táticas e reforça o apetite especulativo enquanto o aperto durar.Dilema de hedge para produtores: travar preços longos significa aceitar valores estruturalmente menores que o preço à vista. Muitas empresas optam por proteger fluxo de caixa no curto prazo e manter parte da exposição aberta para o futuro, apostando implicitamente que o mercado pode subestimar riscos — o que representa o risco de estar vendido em petróleo.Pressão inflacionária para importadores: mesmo que o mercado projete alívio gradual, economias dependentes de importação sentem efeito imediato. A política monetária reage ao preço corrente, não à expectativa de queda em 2032.Se houver um choque adicional de oferta — seja por conflito, interrupção logística ou disciplina mais rígida de produção (OPEC+ reduzindo produção e retendo estoque) — a backwardation pode se acentuar, deslocando a curva para cima.Por outro lado, se a demanda global desacelerar de forma abrupta, o ajuste virá primeiro pelo spot, achatando a estrutura e favorecendo a venda do petróleo nos níveis atuais.Para os próximos 60 dias (próximos à expiração de maio), espero que o mercado se normalize. Não considero que o caso do Irã tenha sido mais estressante em comparação com a atuação na Venezuela; ruídos de alta são oportunidades. Contudo, o preço do barril acima de US$ 75 complicaria a visão apresentada neste texto.