Galvão Bueno é o único narrador de TV do país a dar voz a dois títulos da seleção em Copas

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A primeira Copa de Galvão Bueno foi a de 1974, na Alemanha, quando trabalhava na TV Gazeta. O profissional não viajou à Europa, fazia transmissões dos estúdios da emissora na Avenida Paulista e não narrou partidas do Brasil. Em 1978, ele esteve in loco na Argentina, pela Bandeirantes. Entretanto, quem deu voz aos jogos da seleção foi Fernando Solera.Em 1982, na Espanha, Galvão já estava na Rede Globo. Mesmo prestigiado, quem narrava os duelos do time nacional era Luciano do Valle. Em 1986, no mundial do México, o titular, Osmar Santos, ficou doente e não pôde transmitir a partida  entre Brasil e Argélia, pela segunda rodada do mundial. Foi, portanto, o primeiro jogo da seleção transmitido por Galvão Bueno em uma Copa. A tão almejada titularidade veio em 1990, na Itália, e assim foi até 2022, no Qatar. Desde 1970, quando as Copas começaram a ser transmitidas ao vivo, via satélite, pela televisão, Galvão Bueno é o único na história da TV brasileira a dar voz a dois títulos mundiais da equipe canarinho: em 1994, nos Estados Unidos, e em 2002, na Coreia do Sul e no Japão. Em 2024, quando tive a honra de representar a Jovem Pan no Roda Viva, da TV Cultura, o questionei sobre a emoção dele nas duas conquistas: “[Em 1994] tinha um buraco de 24 anos [sem títulos] e a gente tinha trauma de pênaltis. […] Em 2002, o penta é um espetáculo. O time, talvez, teve o futebol mais bonito e mais brilhante [na comparação com o de 1994]. Os dois times eram fantásticos, mas a forma de jogar era diferente. A Alemanha não chegou nem perto, não ameaçou, não aconteceu nada. Mas foram dois momentos gigantescos para todos nós. Só que 94 é 94”.A imagem de Galvão Bueno ao lado de Pelé e de Arnaldo Cezar Coelho, aos gritos de “é tetra, é tetra, é tetra…”, resistiu ao tempo, virou “meme” já nos tempos de internet, além de ser um momento lembrado quando alguém faz referência a uma meta alcançada na vida ou uma conquista. Em 2023, quando fiz uma entrevista exclusiva com Galvão, o narrador se divertiu mais uma vez ao contar a história: “A grande coroação para mim é aquela imagem que foi para o mundo inteiro. Eu brinco com o Arnaldo: ‘Arnaldo, você pensa que é porque você foi juiz da final de 1982?’ Ou por que Galvão Bueno estava ficando importante? Nós entramos ali de carona com o Pelé. Com o Brasil tetracampeão, quiseram mostrar o Pelé comemorando. ‘Acabou, acabou; é tetra, é tetra’. Arnaldo puxa meu óculos, quase me enforca, me dá um ‘mata-leão’, hahaha! Não existia ainda rede social, não existia ainda essa coisa de internet. Essa imagem acabou sendo tão importante que hoje faz parte desse novo mundo”. Galvão aponta que mesmo os que nasceram depois de 1994 o reconhecem na rua e gritam: “é tetra”. Ele se diz honrado quando o apontam como a voz do tetracampeonato. Agora, em 2026, Galvão Bueno vai narrar a Copa pelo SBT, sendo que o último mundial transmitido pela emissora foi o de 1998, na França. Será que ele dará voz ao hexa?