Marcello Brito: Impacto da suspensão de importação de cacau será limitado

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O Ministério da Agricultura e Pecuária suspendeu temporariamente a importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim. A medida, que já era especulada desde uma reunião ocorrida em 11 de fevereiro entre produtores e o ministério, foi oficializada recentemente, embora especialistas apontem que problemas fitossanitários são improváveis.De acordo com Marcello Brito, colunista do CNN Agro, o impacto desta decisão no mercado interno será limitado. “Se somarmos o que já foi importado no final do ano passado e início deste ano, entre 21 e 23 mil toneladas, com a projeção da safra deste ano, já temos um superávit”, explicou Brito. Isso significa que o Brasil já possui mais cacau do que o mercado consegue absorver atualmente, o que reduz a necessidade de novas importações. Leia Mais Cotação futura do cacau fecha em queda na bolsa de Nova York Mercado de commodities ainda tem incertezas em relação à China StoneX eleva estimativa de oferta de algodão para 2026 Queda no consumo e nos preçosO mercado de cacau enfrenta uma retração significativa no consumo. No Brasil, a moagem caiu 15% e o consumo interno de chocolate e derivados diminuiu 18% no ano passado. Os preços também sofreram queda expressiva: há um ano, a tonelada de cacau era cotada a US$ 12.500, enquanto atualmente está em US$ 3.078 por tonelada.Essa redução nos preços ainda não foi repassada ao consumidor final, pois a indústria ainda processa cacau adquirido a valores mais altos. Segundo apuração de Brito, não há expectativa de melhora significativa no consumo nos próximos 6 a 10 meses, o que limita ainda mais o potencial impacto positivo da suspensão das importações para os produtores brasileiros.Implicações para a indústriaPara o setor industrial, a mensagem enviada pela suspensão das importações é preocupante. “Essa é uma mensagem muito ruim para a indústria, porque é o sinal de que não invista, segure, porque não temos a confiança necessária para fazer esse investimento”, avaliou Brito. A medida pode comprometer a eficiência da cadeia produtiva, caso as empresas sejam obrigadas a comprar matéria-prima mais cara.O especialista ressalta que o ideal seria buscar um equilíbrio entre os ganhos da produção primária, dos processadores, dos fabricantes e do consumidor final. “Infelizmente, ao tarifar o setor, bloquear o setor, o que estamos fazendo é infringir perdas a um desses elos da cadeia que vão surgir efeitos lá na frente, com certeza”, alertou. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.