O assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei representa um momento crucial para entender o futuro do regime iraniano e suas implicações geopolíticas para o Oriente Médio.William Waack, em sua análise, traçou um paralelo histórico entre o fundador da Revolução Iraniana, Ayatollah Khomeini, e o recém-falecido Ali Khamenei. Segundo ele, enquanto Khomeini personificava a ideia e o carisma da revolução islâmica, Khamenei representava a “ossificação” e consolidação do regime, ocupando o topo de uma extensa estrutura burocrática, militar e administrativa. Leia Mais Após ataques contra o Irã, Israel transfere avião estatal para a Alemanha EUA dizem ter afundado navio de guerra iraniano Irã diz que novo líder supremo pode ser escolhido nos próximos dias “Khamenei estava no topo de uma enorme estrutura burocrática, militar, administrativa, que se espalhava pelo país inteiro. A troca do homem, do indivíduo, nesse caso, não é tão relevante como teria sido”, explicou Waack, sugerindo que a eliminação de uma figura como Khamenei não necessariamente desestabilizará o regime.Erro conceitual na visão americanaWaack criticou a visão de alguns políticos americanos, como Marco Rubio, que sugerem que as decisões no Irã são tomadas “puramente por teologia” por clérigos radicais.“As principais decisões tomadas em nome de um regime consolidado como o regime iraniano são decisões geopolíticas tomadas em termos de segurança nacional”, argumentou. “A consolidação do regime, sim, se dá em torno de uma ideia religiosa, mas as decisões são calculadas e frias” em nome da segurança do país.O especialista afirmou que os Estados Unidos têm “zero possibilidade” de influenciar a sucessão no Irã, alertando que uma eventual desestabilização do país poderia criar um cenário ainda mais caótico na região. “Um país do tamanho do Irã, quando entra em colapso, cria um caos numa região, por sua vez, já caótica. E cria um tipo de vácuo que atrai as potências de fora para lá”, observou.Sobre o impacto econômico desta crise, especialmente no que diz respeito ao Estreito de Ormuz, importante rota de escoamento de petróleo, Waack indicou que haverá consequências nos preços de energia, embora não na mesma magnitude das crises petrolíferas dos anos 1970.“A OPEC Plus já está aumentando a produção, justamente para compensar o que todo mundo sabe, que é o gargalo em Hormuz”, explicou.Waack concluiu alertando para os riscos de uma possível desintegração do Irã, um país composto por diversas etnias e historicamente mantido unido por um governo central forte. “O Irã é mantido junto com a unidade por força e presença de um governo central capaz de exercer essa força. Se não tem quem centralmente exerce força, a gente está falando de desintegração.”Conheça os grupos aliados do Irã contra Israel e EUA no Oriente Médio Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.