O time de gestão de fundos imobiliários da XP Asset Management, uma das maiores gestoras do país com mais de R$ 250 bilhões sob gestão, reforçou no quarto trimestre de 2025 a estratégia de priorizar Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) nos portfólios, considerando essa classe de ativo como a mais benéfica para o resultado dos investidores no cenário atual de juros elevados. A movimentação veio acompanhada de uma reciclagem ativa das carteiras, com a venda de posições que atingiram preço-alvo e a entrada em novas oportunidades.No XP Hedge Fund (XPHF), o portfólio encerrou o trimestre com 26 operações de crédito — R$ 203 milhões indexados ao IPCA, com taxa média de 8,66% ao ano, e R$ 35 milhões atrelados ao CDI, a uma taxa média de CDI + 3,05%. O resultado do período foi de R$ 0,30 por cota, integralmente distribuído aos cotistas. Entre as novas alocações, a gestora investiu em dois CRIs: um built-to-suit em São Paulo com taxa de IPCA + 9,75% e outro vinculado à distribuidora da Femsa Coca-Cola na região Nordeste do estado de São Paulo, a IPCA + 8%.O que está por trás da estratégia do FII MXRF11 para proteger dividendosXP Asset amplia oferta de ETFs indexados à inflaçãoJá o XP Selection (XPSF), fundo de fundos da casa, registrou resultado de aproximadamente R$ 0,20 por cota. A gestora vendeu posições como Bresco Logística e outros fundos que atingiram o retorno esperado, substituindo-as por ativos no segmento de tijolo — como o JSRE, fundo de lajes corporativas do Safra, e o Tellus Properties, adquirido em cota descontada após movimentação tática de um grande investidor. A exposição a CRIs no Selection encerrou o ano em 5,54% do patrimônio líquido, com a gestora sinalizando intenção de ampliar essa fatia.Outro destaque foi o block trade do fundo Lago da Pedra, veículo estruturado semelhante a CRI com retorno-alvo de CDI + 3%. O dividend yield anualizado do Selection ficou em 15,92%, enquanto o do Hedge Fund alcançou 15,79% — ambos com gross up de aproximadamente 15% para fins de comparação com renda fixa tributada.FIIs expostos ao IPCA ou ao CDI? Como se posicionar para o corte da SelicPossível “tenbagger”? Por que XP vê a Orizon com potencial de retorno de 10 vezesBC sinaliza corte e investidor pessoa física volta às comprasO pano de fundo para a estratégia da gestora é a expectativa crescente de início do ciclo de queda da Selic. O Banco Central, sob o comando de Gabriel Galípolo, sinalizou na reunião de janeiro que a próxima decisão de política monetária — marcada para março — poderá trazer um corte nos juros, hoje em 15% ao ano. Segundo a equipe da XP Asset, a sinalização veio acompanhada de sucessivas revisões baixistas nos índices de inflação ao longo de 2025, o que derrubou os juros futuros nominais.A combinação de perspectiva de corte e inflação comportada reacendeu o apetite do investidor pessoa física, principal base de cotistas dos fundos imobiliários, que voltou ao lado comprador no mercado secundário. O IFIX registrou valorização de 5,18% no quarto trimestre, acumulando rentabilidade de 21,15% em 2025.Leia tambémO que está por trás da estratégia do FII MXRF11 para proteger dividendosFII encerra 4T25 com R$ 4,3 bilhões de patrimônio, liquidez média de R$ 13 milhões ao dia e reforço em CRIs indexados à inflaçãoA política monetária restritiva ao longo de todo o exercício, contudo, foi sentida pela economia real. A gestora apontou desaceleração da atividade, resultado já esperado pela equipe macroeconômica da casa.Ainda assim, o mercado de trabalho seguiu resiliente, com a taxa de desemprego atingindo 5,4% em dezembro, renovando mínimas históricas.No campo fiscal, a XP Asset avaliou como positiva para o consumo a reforma do imposto de renda que concedeu isenção a quem ganha até R$ 5 mil, apesar do impacto negativo nas contas públicas. Setores como shopping centers e logística ligada ao e-commerce podem ser os principais beneficiados.The post XP Asset amplia aposta em CRIs e recicla carteiras de fundos imobiliários appeared first on InfoMoney.