O presidente Juscelino Kubitschek aproveitou ao máximo a conquista na Copa de 1958 para exaltar a grandiosidade nacional. Depois da vitória na final diante da Suécia, em Estocolmo, por 5 a 2, JK comemorou o triunfo. Ele fez questão de estar na futura capital, Brasília, que seria inaugurada em abril de 1960, conforme informava O Globo: “O presidente Juscelino Kubitschek, em companhia de sua família, ouviu a irradiação do jogo Brasil x Suécia no living room do Hotel Turismo de Brasília. Ele estava acompanhado de membros do gabinete militar e civil da presidência e de grande número de jornalistas e hóspedes do hotel, sobretudo participantes da Conferência Internacional de Investimentos que aqui vieram encerrar esse conclave”. Depois do jogo, JK fez um pronunciamento: “Foi com profunda emoção que, de Brasília, onde acabamos de ouvir a brilhante exibição dos brasileiros, recebemos a grande notícia da vitória, ansiosamente esperada. Quero confessar a alegria que neste instante domina toda a nação por ver o Brasil que já não mais conhece derrotas e que a sua mocidade sabe ostentar vitoriosa o seu nome. Queiram aceitar as felicitações mais calorosas do presidente do Brasil e transmitir nossas saudações aos bravos adversários suecos que se postaram com tanta galhardia e hospitalidade.”As publicações desse período registram que, dias antes do embarque para a Europa, o presidente Juscelino Kubitschek chamou o chefe da delegação brasileira, Paulo Machado de Carvalho, para uma conversa. Eles discutiram um possível empréstimo, via Banco do Brasil, para custear a viagem da CBD (atual CBF). O presidente brasileiro teria pedido também ao dirigente uma atenção especial para derrotar a URSS. Na avaliação dele, em plena Guerra Fria, seria importante ganhar dos “comunistas”.A seleção brasileira, comandada por Vicente Feola, enfrentou os soviéticos na terceira rodada da fase de grupos, em Gotemburgo, quando estrearam Pelé e Garrincha. A equipe venceu por 2 a 0 com gols de Vavá e garantiu a classificação em primeiro lugar, em uma chave que tinha ainda Áustria e Inglaterra. A URSS era cercada de mistério e de simbologia política. As informações sobre os países do Leste Europeu, por trás da “Cortina de Ferro”, eram raras e desencontradas. A imprensa falava que a seleção soviética jogava um “futebol científico” e que era formada por “super-homens”. Entretanto, dentro de campo, os adversários desmoronaram aos pés de Garrincha. Além dos dribles desconcertantes, o jogador chutou uma bola na trave do goleiro Yashin, logo no início do duelo. A torcida, espantada, aplaudia e dava risada. Em outro lance, Pelé mandou a bola no travessão. Aos três minutos, Didi estava bem marcado na intermediária da União Soviética, mas esperou pelo melhor posicionamento de Vavá que recebeu a bola, invadiu a área e tocou com o pé direito: 1 a 0. O centroavante brasileiro marcou o segundo gol aos 32 da etapa final. O pedido do presidente Juscelino Kubitschek foi devidamente atendido!