Da escola pública ao próprio escritório: a trajetória de superação de Beatriz Figaro

Wait 5 sec.

Foto: Eduardo MustafaFilha de Eliana e Sandro e casada com o Bruno Canela, a advogada Beatriz Angélica Francisco Figaro Canela, 31 anos, construiu sua trajetória com persistência e dedicação aos estudos. Nascida em Birigui, criada em Mirandópolis e formada pelo Centro Universitário Toledo com bolsa integral do ProUni, hoje mantém seu próprio escritório na Rua Nilton Orsi. Atua nas áreas previdenciária, cível, empresarial, tributária e constitucional, além de prestar assessoria a associações e entidades. Também integra a Comissão de Combate à Violência Contra a Mulher e é vice-presidente da Comissão de Defesa da Causa Animal da OAB em Mirandópolis. Em entrevista ao AGORA NA REGIÃO, ela fala sobre infância, desafios e escolhas profissionais.Onde você nasceu?Nasci em 1995, em Birigui. Minha mãe é de Mirandópolis e foi trabalhar em Birigui, onde conheceu meu pai biológico. Quando eu tinha um ano e meio, eles se separaram e eu voltei com minha mãe para Mirandópolis, sem contato com meu pai biológico. Depois, minha mãe se casou novamente, e foi o meu padrasto quem me criou. Eu o chamo de pai até hoje.Como foi crescer em Mirandópolis?Cresci em uma família simples. Estudei sempre em escola pública, como a Hélio Faria e a Noêmia Dias Perotti. Meu pai, que me criou, trabalhava como boia-fria e depois se tornou agente de segurança penitenciária. Minha mãe era do lar. Quando eu tinha por volta de 9 anos, eles se separaram, mas ele nunca fez distinção entre mim e meus irmãos, que são filhos biológicos dele. Sempre manteve o vínculo comigo.Quando decidiu seguir a área jurídica?No meio do segundo ano do Ensino Médio, decidi fazer o curso Técnico Jurídico da ETEC. Concluí junto com o Ensino Médio. Sempre me interessei pelo Direito e pela Justiça de forma geral. A minha primeira oportunidade profissional foi um estágio no Juizado, pelo CIEE, no último ano do Ensino Médio. Ali tive ainda mais certeza do que queria. Depois do estágio, fui trabalhar como secretária na Microway, por indicação de um professor da ETEC.Houve dificuldades para ingressar na faculdade?Sim. Em 2013, na primeira tentativa de prestar Direito, errei a cidade da prova do vestibular e coloquei Franca. Pela distância, decidi não ir. Em 2014, pelo ENEM, consegui uma bolsa de 100% pelo ProUni no Centro Universitário Toledo, em Araçatuba.Como foi conciliar trabalho e faculdade?Foi um período muito difícil. Eu morava no bairro Sonho Meu e vinha de moto-táxi para trabalhar no centro. No almoço, minha mãe trazia minha marmita; eu comia e descansava no carro dela, debaixo de um sol de 40º (risos). À tarde, ela levava minha roupa e eu ia direto para a faculdade. Fiquei praticamente um ano nessa rotina. Em dezembro de 2014, consegui comprar minha primeira moto, o que facilitou muito.Você continuou trabalhando durante a graduação?Sim. Saí da Microway por causa do horário e, logo depois, comecei no Escritório São Paulo, de contabilidade, onde fiquei até 2017.Quando decidiu advogar?Quando saí da faculdade, minha intenção era prestar concurso público pela estabilidade. Mas eu sempre tive um plano B, porque concurso na área do Direito é muito difícil e exige dedicação exclusiva, e a minha rotina sempre foi muito corrida. Então fui conciliando: advogando e prestando concursos. O que eu não queria mesmo era voltar para a CLT, porque estudei muito para não continuar trabalhando para os outros.Como foi a OAB?Em 2017, saí do Escritório São Paulo para me dedicar ao TCC e à prova da OAB. Passei de primeira, tanto na primeira quanto na segunda fase.Beatriz Figaro mantém seu próprio escritório na Rua Nilton Orsi (antiga rua Armando Salles de Oliveira). Foto: Eduardo MustafaComo foi o início da advocacia?Depois de formada, consegui uma vaga no antigo Escritório Nagano, que hoje é a Syscon, onde fiquei cerca de cinco anos. Paralelamente, aluguei uma sala em um prédio em cima da Cacau Show para atender clientes particulares. Em 2020, mudei para outro prédio e hoje atuo em meu próprio escritório na antiga Rua Armando Salles de Oliveira, atual Rua Nilton Orsi.Em quais áreas você atua atualmente?Atendo causas previdenciárias, cíveis, empresariais e tributárias, Direito Constitucional, alteração estatutária e assessoria jurídica para associações, entidades religiosas e ONGs. Fiz pós-graduação em Direito Empresarial em 2021, porque minha intenção é advogar apenas para empresas futuramente. Sempre gostei da área tributária.Como você vê o papel do advogado para o empresário?Infelizmente, muitos empresários acreditam que o contador resolve tudo. Mas é muito importante ter apoio jurídico. O contador e o advogado têm funções diferentes e complementares.Você também atua em causas sociais, certo?Desde agosto de 2025, faço parte da Comissão de Combate à Violência Contra a Mulher, prestando assistência a mulheres vítimas de violência. Também ajudo na causa animal em Mirandópolis e sou vice-presidente da Comissão de Defesa da Causa Animal da OAB.O post Da escola pública ao próprio escritório: a trajetória de superação de Beatriz Figaro apareceu primeiro em AGORA NA REGIÃO.