Irã elege aiatolá Alireza Arafi como líder supremo interino após assassinato de Khamenei

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O Irã elegeu o aiatolá Alireza Arafi como seu líder supremo interino neste domingo, 1º de março, após o assassinato de Ali Khamenei ser assassinado durante os ataques aéreos conjuntos dos Estados Unidos e de Israel em Teerã na véspera.Na chefia do conselho de liderança interino, que comandará o país interinamente, Arafi supervisionará um processo de transição para substituir oficialmente Khamenei.“O Conselho de Discernimento de Conveniência elegeu o aiatolá Alireza Arafi como membro do conselho de liderança interino”, disse o porta-voz do conselho, Mohsen Dehnavi, em uma publicação no X (ex-Twitter).O conselho interino, que também incluirá o presidente e o chefe do judiciário, liderará o país até que a Assembleia de Peritos “eleja um líder permanente o mais breve possível”, ele acrescentou.Quem é Alireza Arafi?Arafi, um clérigo de alto escalão e longeva figura influente na hierarquia religiosa e política do Irã, enfrenta o desafio de timonear a República Islâmica em um período de tensões regionais acentuadas e incerteza interna.Embora seja mais discreto e menos conhecido tanto internacional quanto nacionalmente, ele tem experiência em instituições governamentais e que também foi próximo conselheiro de Khamenei. Atualmente, o aiatolá ocupa o cargo de vice-presidente da Assembleia de Peritos e foi membro do influente Conselho dos Guardiães, responsável pela análise de candidatos a eleições e leis aprovadas pelo parlamento. Ele também chefia o sistema de seminários do Irã.De acordo com Alex Vatanka, do think tank Middle East Institute, com sede em Washington, D.C., Khamenei tinha “grande confiança nas habilidades burocráticas” de Arafi, demonstrado pelo fato de que o nomeou para cargos importantes e estrategicamente sensíveis. Ainda assim, o clérigo não é considerado um peso-pesado político e também não possui laços estreitos com o aparato de segurança, como a Guarda Revolucionária Islâmica.Diz-se que ele entende de tecnologia e é fluente em árabe e inglês, além de ter publicado 24 livros e artigos, escreveu Vatanka.Ataque aéreoO ataque a Teerã na madrugada de sábado 28 foi uma ação coordenada dos Estados Unidos com Israel, seu aliado próximo, que é inimigo histórico do regime dos aiatolás que comandam o país persa. O presidente americano, Donald Trump, confirmou os ataques e disse que o objetivo é defender o povo americano e garantir “que o Irã não terá uma arma nuclear”.Em resposta, o Irã disparou contra instalações militares americanas no Bahrein, no Kuwait e no Catar. O regime também lançou mísseis e drones contra Israel. Ainda não há informações sobre possíveis danos. O Ministério da Defesa catari afirmou que as Forças Armadas do país derrubaram vários mísseis antes que eles alcançassem seu espaço aéreo.A ofensiva israelo-americana ocorreu após o fracasso da última rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã sobre um acordo nuclear que controlaria o programa de enriquecimento de urânio da nação persa, vista como a possível última saída diplomática. Em junho de 2025, os Estados Unidos já haviam bombardeado instalações nucleares e militares iranianas durante o conflito entre Tel Aviv e Teerã.Na última quinta-feira, representantes dos dois países encerraram seis horas de negociações em Genebra sem avanço concreto sobre a principal exigência americana: o desmantelamento completo do programa nuclear iraniano.Em relatório reservado a seus 35 Estados-membros, a agência Internacional de Energia Atômica afirmou que o Irã estocou parte de seu urânio altamente enriquecido em uma área subterrânea do complexo nuclear de Isfahan, no centro do país. É a primeira vez que o órgão vinculado à ONU especifica o local onde o material com grau de pureza de até 60% estaria guardado. O patamar está tecnicamente próximo dos 90% de enriquecimento considerados necessários para a produção de uma arma nuclear.A tensão em torno do programa nuclear iraniano se intensificou após a erosão do acordo firmado em 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global, que impunha limites rígidos ao enriquecimento de urânio em troca do alívio de sanções. Desde a saída unilateral de Washington do pacto, durante o primeiro mandato de Trump, Teerã ampliou progressivamente seus níveis de enriquecimento e reduziu a cooperação com inspetores internacionais.Ao mesmo tempo em que o campo diplomático encontrava dificuldades para avançar, os Estados Unidos seguiam acumulando poderio bélico ao redor do Irã. Na quarta-feira 25, Washington enviou uma dúzia de caças F-22 para a região, que já contava com dois porta-aviões, 12 contratorpedeiros e três embarcações de combate. Ao todo, os americanos reuniram sua maior força militar no Oriente Médio desde a invasão ao Iraque, em 2003.Com VejaO post Irã elege aiatolá Alireza Arafi como líder supremo interino após assassinato de Khamenei apareceu primeiro em Vitrine do Cariri.